sábado, 28 de Novembro de 2009

Post - Programa eleitoral na gaveta

O PSD saiu mal das eleições autárquicas em Loures e entrou pior no início do novo mandato, metendo o programa eleitoral na gaveta. Em bom rigor, não existiu um programa, mas uma espécie de folha A4, intitulada "medidas", em que não houve apetência pelas propostas de redução da carga fiscal, uma das habituais bandeiras eleitorais do PSD. Mas, num documento cronologicamente anterior sobre as "10 medidas principais de gestão camarária", lá surgia no segundo lugar a promessa de "reduzir o imposto municipal sobre imóveis (IMI)".
Sendo conhecida a imposição de redução no ano anterior pela Lei do Orçamento de Estado aguardava-se nova iniciativa pelo PSD de redução na Câmara Municipal. Ora, o que aconteceu? O PS manteve o nível da carga fiscal, a CDU apresentou uma proposta de redução para os prédios urbanos e o PSD, dando mostras de nem sequer ter feito o trabalho de casa, limitou-se a formular oralmente uma proposta de alteração para as percentagens de agravamento dos prédios degradados ...
Em função desta atitude e da subsequente "prudência" revelada pela liderança da bancada parlamentar no debate e aprovação desta mesma proposta na Assembleia Municipal começa a parecer que alguns irresponsáveis ainda aguardam que o Pai Natal lhes coloque uma prenda no sapatinho.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Prémio da Lata

Algumas alternativas para legenda da foto (clique em cima para aumentar):

1. Alguns populares, julgando tratar-se do prolongamento dos festejos do 4 de Outubro, em Loures, viram-se envolvidos de forma in(esperada) nas comemorações dos vencedores das eleições autárquicas locais;
2. Perante o desalento nas hostes laranjas, decorrente da banhada eleitoral, alguns militantes (de cartão) do PSD optaram por festejar com redobrada alegria a maioria absoluta socialista, resultante também, afinal, do seu empenhado contributo;
3. Na noite eleitoral alguns “altos” e um “baixo” funcionário aproveitaram para prestar vassalagem ao reeleito presidente da edilidade, comemorando por antecipação a putativa “renovação” do mandato na administração local.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Liberdade

Completei hoje um ciclo político autárquico de quase 12 anos. Liberdade!

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Oportunismo comercial

Já não há paciência para os truques publicitários ou panfletários de José Saramago. A adaptação cinematográfica do “Ensaio sobre a Cegueira” pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles parece ter trazido uma súbita necessidade de continuar a alimentar, sem quebras, o filão comercial da obra do Nobel português. Assistimos assim, posteriormente, à promoção macabra da “Viagem do Elefante” como o provável último livro de Saramago, dada a sua precária situação de saúde. E agora constatamos a polémica gratuita em relação à Bíblia, despoletada e fomentada pelo próprio durante o périplo da promoção do livro “Caim”.
A conhecida falta de fé de Saramago será sempre um problema de âmbito pessoal. A sua má-fé expressa no oportunismo comercial já atinge a sua relação com os leitores.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Alma Lusitana (12)


"Oxalá te Veja" - OQUESTRADA

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Assobiar para o lado

As leituras nacionais dos resultados das Legislativas e a precipitação do calendário eleitoral autárquico não permitiram o necessário debate sobre o desaire do PSD no círculo eleitoral de Lisboa. Não se discutiram assim as responsabilidades partilhadas das direcções distrital e nacional do PSD no acidentado processo que conduziu à formação da lista final de candidatos a deputados. É por isso que decorridas duas semanas não constitui surpresa que tenham ambas assobiado para o lado, perante novo desaire nas autárquicas.
A Distrital de Lisboa do PSD assumiu como grandes objectivos, na sua área de jurisdição, a conquista das Câmaras de Odivelas e Lisboa, apesar de nesta última não ter tido um átomo de responsabilidade na escolha de Santana Lopes ou na composição da lista municipal. Os resultados são conhecidos, apesar do reconhecido esforço da coligação “Lisboa com Sentido”. Em Oeiras, o PSD ficou numa situação extremamente delicada (relegado para terceiro lugar com 16,42%), como resultado de um processo repleto de ambiguidades, que culminou na escolha de recurso de Isabel Meirelles, que aliás não merecia ver-se envolvida neste tipo de aventuras. Nos concelhos de Amadora, Azambuja e Loures, as escolhas norteadas por pequenos interesses e equilíbrios partidários internos conduziram a volumosas derrotas, respectivamente com 22,87%, 17,18% e 16,06%. Em Vila Franca de Xira, a coligação liderada pelo PSD nem sequer ameaçou Maria da Luz Rosinha (PS) com uns meros 23,35%.
Registou-se, apenas, a manutenção das Câmaras de Cascais, Mafra e Sintra, cujos candidatos recusaram submeter à apreciação prévia e votação pelo órgão distrital competente, as listas que encabeçaram …
Esperava-se, por isso, que o líder da Distrital de Lisboa assumisse as suas responsabilidades e as consequências dos resultados, tal como sistematicamente gosta de exigir em público aos líderes nacionais. Foi por isso penoso ver as imagens televisivas da sua presença na retaguarda do palco de Pedro Santana Lopes, de expressão perdida no rescaldo da noite eleitoral, como náufrago à procura de bóia.

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Aconteceu

Durante estes últimos meses de Verão interrompi os meus textos, visto que algumas análises ou considerações mais lúcidas e esclarecidas, mas fundamentalmente realistas, sobre os desenvolvimentos das listas candidatas e das campanhas eleitorais, poderiam antecipar o que inevitavelmente acabou por acontecer: à maioria que já detinha na Assembleia Municipal de Loures, o partido socialista acabou por lhe juntar a maioria na própria Câmara Municipal.
Como aqui previ no final de Junho, o PSD não descolou dos resultados de 2005, obtidos por Miguel Frasquilho (foram mesmo piores com 14.456 votos, correspondentes a 16,06%), não revelando nem arte nem engenho para crescer eleitoralmente e impedir a maioria absoluta do PS.
Foi aliás, o único partido, que perdeu votos e mandatos no conjunto das freguesias em que já se verificava uma situação de maioria absoluta – Bobadela, Frielas, Moscavide, Portela, Prior Velho, Santa Iria da Azóia, S. Antão do Tojal e S. Julião do Tojal. Enquanto os restantes partidos consolidaram as suas votações e, exceptuando a Bobadela, aumentaram mesmo o número de mandatos, o PSD na freguesia da Portela perdeu 937 votos e, consequentemente, dois mandatos para o PS e para o CDS. E tal não se explicará somente pela mudança da candidata principal ou pela pobreza da restante composição. É que a candidata à Câmara Municipal obteve agora, na Portela, menos 885 votos do que em 2005, enquanto candidata à própria Junta de Freguesia …
O naufrágio eleitoral do PSD adquire maior dimensão quando se constatam as vitórias do PS nas freguesias de Bucelas e São João da Talha, detidas pela CDU, e as maiorias absolutas conquistadas nas freguesias de Apelação, Fanhões, Loures, Sacavém, Santo António dos Cavaleiros e Unhos.
Uma única nota de consolo, a vitória inesperada na freguesia de Lousa onde os candidatos locais laranjas obtiveram quase o dobro da votação das listas municipais!

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Lisboa com Sentido

Inacreditável, a forma como a maioria da imprensa escrita tratou a apresentação oficial de Pedro Santana Lopes. Quem não teve a oportunidade de ir ao Jardim do Arco do Cego ficou com a noção errada que a medida mais importante consistiu no anúncio da construção de mais um túnel… Nada de mais redutor. Santana Lopes fez um bom discurso, com uma primeira parte mais política (onde desmistificou a propaganda de António Costa e do ex-Zé que faz falta) e uma segunda mais programática, onde destacou como principal prioridade a vertente social, que inclui a reabilitação e o repovoamento, a requalificação dos bairros sociais e a eliminação das barreiras arquitectónicas. Foi já no âmbito do compromisso de não descurar os investimentos em acessibilidades que exemplificou como ambição para a segunda metade do mandato, o desnivelamento da praça Duque de Saldanha e do cruzamento das Picoas. Mas foram, precisamente, estes dois minutos de filme, aqueles que a imprensa escrita entendeu destacar…

Ver aqui o Programa Eleitoral

quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Pinho Lindo

Depois de Nuno Severiano Teixeira ter começado a distribuir louvores pelo seu gabinete e de António Costa ter descolado de Mário Lino, foi a vez de Manuel Pinho resolver investir contra a bancada do PCP, entrando de férias mais cedo. Este foi apenas um episódio, mais visível, da crescente e lamentável degradação dos debates no parlamento.

terça-feira, 30 de Junho de 2009

Os novos realojados

Durante anos a fio as empresas municipais, GesLoures e LouresParque, foram servindo de placa giratória para a colocação de comissários políticos locais, enquanto não lhes era dado melhor destino. Depois, com o aumento progressivo das necessidades e do currículo político (não o profissional) dos necessitados foi necessário alargar o circuito aos Serviços Municipalizados. Foi assim que surgiram os novos realojamentos nos cargos de direcção e administração, fosse por afinidade familiar ou por retribuição de favores políticos com retroactivos. Apesar de sermos confrontados diariamente com as elevadas perdas de água na rede, que rondam os 40%, e com a crescente degradação do parque de máquinas e viaturas dos serviços, vamos assistindo ao desfilar exótico e permanente de alguns dos administradores pela agenda municipal de eventos, facto só por si revelador dos seus índices de produtividade e da principal motivação no seu recrutamento.

segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Arquitectura pombalina

De vez em quando encontramos boas iniciativas locais na blogosfera, que reproduzem o olhar mais atento e preocupado dos residentes de Loures. Destaco desta vez o blog pensardiferentepriorvelho, da autoria de Luis Dionísio e José Figueira, que constitui uma chamada de atenção para os imensos problemas desta freguesia, assim como para as flagrantes incongruências em que assenta o seu desenvolvimento. Reproduzo, então, duas fotografias que ilustram a súbita apetência dos autarcas do PS pela “requalificação” dos pombais, transformando-a em autênticos atentados urbanísticos. Recorde-se que o Prior Velho e, mais recentemente, a Portela numa das suas entradas principais já tinham sido brindados com esta manifestação pública de mau gosto e despesismo.


sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Folclore Transmontano

Há alguns meses a Santa Casa da Misericórdia divulgou um spot comercial para promover um concurso milionário, através da ideia de excentricidade. Na referida publicidade um pivot televisivo anunciava o encerramento do próprio canal de negócios, passando este a transmitir em exclusivo folclore transmontano. Ora, sem ofensa para os transmontanos e pegando na metáfora, foi isto precisamente que aconteceu ao PSD em Loures. A pretexto de um anúncio de candidatura, também ele singular e extravagante, encerraram a sua vocação reformista e de genuína alternativa ao nepotismo rosa que alastra no nosso concelho.
Numa conjuntura favorável, criada pela dinâmica de vitória nas Europeias, o PSD tinha a obrigação de apresentar no quinto maior concelho do país uma candidatura ao município que fosse credível, preparada e capaz de competir com os 26,18%, obtidos por Pacheco Pereira em 1989, em vez de se apresentar para superar os mínimos, ou seja, os 16,43% de Miguel Frasquilho em 2005. Só assim se entende que uma candidatura, já de si diminuída pela falta de legitimidade com que foi decidida, também tenha escolhido de forma pouco ambiciosa a freguesia da Portela para a sua apresentação, sendo mesmo insólito que o Partido Social Democrata apresente uma candidatura à câmara municipal de Loures fora da sede do concelho.
Por outro lado, é uma candidatura demasiado amarrada à lamentável passagem de personagens ligadas ao PSD pelos pelouros, pelas empresas municipais e pelos serviços municipalizados, no presente mandato, o que as liga umbilicalmente aos maus resultados da gestão municipal. O silêncio ensurdecedor decorrente de quase dois anos de ausências mal explicadas e justificadas da candidata na Assembleia Municipal, onde foram aprovados agravamentos de taxas e impostos municipais, orçamentos despesistas e discriminatórios em relação a várias freguesias como a Portela, não dá grande margem para que se empunhem algumas das bandeiras eleitorais, tão caras ao PSD, como a redução responsável da carga fiscal municipal. Nem cola com a política de verdade, de falar verdade com que a direcção nacional do PSD pauta e bem as suas propostas. Apesar do esforço que alguns, muito poucos, foram fazendo para respeitar os compromissos eleitorais, o que por ironia ainda poderá ajudar a limar o discurso.
Esta incongruência assume um verdadeiro obstáculo eleitoral para o PSD. Como conciliar o discurso nacional de um partido que se apresenta ao país como única alternativa credível ao governo de José Sócrates e o discurso local de quem ambiciona, somente, gozar o clima de lua-de-mel e que o dia seguinte às eleições lhe traga a repartição do espólio?
Adenda: Mail enviado por um leitor identificado, “Caro Guedes da Silva, o senhor é um optimista. É que a partilha do espólio já começou. Numa madrugada desta semana dava gozo ver os seus companheiros de partido (grupo onde pontificavam, entre um bando de jotinhas, um ex-vereador muito dado ao convívio com o PS e um ex-deputado municipal que pregou uns calotes à GesLoures) a confraternizar na churrasqueira de Sacavém com dois vereadores socialistas, que circulam por esta área. A animação era de tal ordem que mais parecia estarem a festejar a passagem de ano, não fosse o caso de ser audível que o motivo de tal algazarra era afinal o resultado de uma contenda interna do seu partido. Gabo-lhe a paciência e a resistência.”

Michael Jackson

Infelizmente, os seus últimos anos da sua vida pessoal foram demasiadamente atribulados, ofuscando o brilho inegável da sua carreira musical. Depois de assistirmos às várias tentativas frustradas de relançamento da sua carreira fica-nos o som e a imagem dos álbuns que marcaram várias gerações, tornando-se verdadeiras colectâneas, e das exímias coreografias que preenchiam os seus vídeoclips, antecipando largos anos antes a geração MTV. Obrigado, Michael Jackson.

quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Ronaldo Obsceno

Pagar 93 milhões de euros (faltam adicionar o salário e os prémios de jogo) por um jogador de futebol seria sempre um grande ultraje em termos sociais. Na actual conjuntura económica é uma enorme obscenidade.
Começo a duvidar que as contas do histórico clube madrileno resistam a uma segunda vaga de caprichos pessoais de Florentino Pérez.

quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Hecatombe do PS em Loures

Só por piada e alguma falta de decoro é que a câmara municipal de Loures, dois dias decorridos após as eleições europeias, resolveu destacar no seu site a vitória do PS no concelho. Escamoteando a perda de 11.953 votos os autores da notícia servem-se de um meio teoricamente institucional como se de uma vulgar página partidária se tratasse, manipulando a informação e desprezando os ganhos significativos dos adversários, no habitual estilo propagandístico.
Ainda não percebi se foi a presunção ou o sentimento de alívio que inspirou os mentores da notícia. A presunção de julgarem que a responsabilidade pelos maus resultados se esgota na má opção pelo dissidente comunista Vital Moreira, mas que o mandato da câmara municipal tem sido tão bom que “só” desceram de 46,42% para 29,02%... Ou o alívio de constatarem que mesmo usufruindo das ajudas do ministro da Administração Interna e da governadora civil, que montaram tenda eleitoral em Loures, o desastre teve esta dimensão, o que não seria se não beneficiassem das visitas mediáticas mensais destes responsáveis. Enquanto não esclareço a dúvida, prefiro colaborar com os leitores divulgando os mapas oficiais comparativos das eleições europeias de 2009 e 2004 em Loures:


Fonte: DGAI

Adenda: Entretanto o texto do site municipal já foi corrigido...

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Altis sem espelhos

A imagem nua e desoladora da sala do hotel Altis contrastou durante grande parte da noite com os elevados graus de profissionalismo e de investimento que o PS apresentou ao longo da campanha: desde a máquina organizativa dos comícios à própria moldura humana reforçada por espelhos …
A forma atabalhoada e ressentida como o PS começou a reagir às primeiras previsões (ainda não eram conhecidos os primeiros resultados oficiais) quase se torna ridícula à distância se nos recordarmos que nas intercalares de Lisboa, António Costa teve direito a vários autocarros com apoiantes arregimentados no norte do país para compor a mesma sala. A forma desagradável e agressiva como os ministros Mário Lino e Maria de Lurdes Rodrigues reagiram às tentativas dos jornalistas obterem declarações é reveladora de como o PS tem habitualmente mau perder (nem se dignou a cumprimentar formalmente os vencedores) e de como na mais completa cegueira política não tinham equacionado a mínima hipótese de não ganharam as eleições europeias. Mesmo assim, foi um José Sócrates trapalhão e nervoso que tentou responder aos jornalistas, sem o auxílio do habitual teleponto e coordenando ele próprio a ordem das perguntas, num grau de improviso que também não lhe é habitual.
Poder-se-ia dizer que o mau resultado nas eleições europeias não teria uma leitura imediata nas eleições internas que se avizinham. Até porque os protagonistas serão diferentes. Seria assim, se o primeiro-ministro não se tivesse envolvido directa e empenhadamente na campanha e se os principais temas não tivessem incidido maioritariamente na política nacional. Por outro lado, na maioria dos países da Europa Ocidental os partidos apoiantes dos governos acabaram por não ser penalizados, o que não sucedeu em Portugal e em Espanha, onde Zapatero foi derrotado pela primeira vez. Pelo que não colhe a teoria de José Sócrates de que o PS teria sido vítima da conjuntura da crise económica (manifestou a intenção de que “o governo vai manter o rumo”), não reconhecendo que o desastre eleitoral derivou precisamente da forma como o governo não soube reagir à crise, perdendo-se no anúncio de medidas avulsas e despesistas, que não só não resolvem os problemas no longo prazo como amarram os futuros governos a decisões ruinosas, quando se trata da ligação Lisboa-Porto em alta velocidade. Esperam os portugueses que o governo retire as ilações adequadas destes resultados, invertendo o caminho na teimosia pela opção dos grandes investimentos nas obras públicas.

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

O Respeito e o Verbo

Embora pecando por tardia foi apresentada na última reunião municipal uma moção manifestando preocupação com os impactos da linha ferroviária de alta velocidade na zona norte do concelho de Loures. Desde que a RAVE promoveu uma sessão de apresentação do traçado, há cerca de um ano, não se conhece nenhuma medida ou acção do executivo socialista que transmita o mínimo incómodo por este traçado ir dizimar a região vinícola de Bucelas e comprometer a recuperação das margens do rio Trancão na área de Sacavém. E também é conhecida a situação do Governo não “passar cartão” à câmara de Loures, como se constatou nos casos do hospital de Loures e dos terrenos do Quartel de Sacavém. Mas mesmo assim, continua a haver um excesso de respeito institucional, não vá um qualquer passo em falso comprometer alguma ambição política destes responsáveis. Daí que a referida moção só foi aprovada por maioria depois de um “lifting” no texto, ao ponto de o tornar inócuo nas suas deliberações. E onde até o verbo “exigir” teve que ser substituído por “interceder”. Perante este exercício de hipocrisia não pude votar favoravelmente o documento, apesar de concordar com os seus pressupostos. E por estar convencido que a única moção eficaz nesta altura será uma vitória do PSD nas eleições legislativas, que acabe com o devaneio despesista da ligação de TGV entre Lisboa e Porto.

sábado, 25 de Abril de 2009

25 de Abril


MADREDEUS

sexta-feira, 24 de Abril de 2009

Megafone

Fernanda Câncio escreveu hoje, em artigo de opinião no "DN", o que Sócrates não disse e provavelmente gostaria de ter dito sobre o Presidente da República na entrevista à RTP. Não se percebe pela fúria das palavras se está a tentar provocar em Cavaco Silva o empate na contenda que Sócrates alimenta com a jornalista Manuela Moura Guedes, designadamente quando o considera de mentiroso (“relação difícil com a verdade”) e demagogo. De qualquer modo, fez-nos o favor de pôr termo à hipocrisia das considerações melosas sobre o relacionamento do governo com a presidência da república. Escreve, então, Fernanda Câncio no final do artigo: “o prefácio do livro Roteiros III, em que anuncia não se poder limitar a "fazer diagnósticos" mas achar ser sua obrigação "apontar caminhos", como os termos do seu último discurso, repetindo quase palavra por palavra a doutrina da líder do PSD e estrategicamente pronunciado quando já não pode dissolver o Parlamento, vieram apenas confirmar que está em campanha - e, portanto, na campanha. Desenganem-se, porém, os que crêem que o faz pelo PSD. O caminho que aponta é só um: Cavaco, Cavaco, Cavaco.
Como eu já aqui tinha escrito, com este tipo de conduta Sócrates vai ter muito que pedalar.

Lisboa com Sentido

Amanhã, também é dia de Santana Lopes. Força Pedro!

quinta-feira, 23 de Abril de 2009

O denominador comum

Manuel Alegre considerou hoje no programa especial da Quadratura do Círculo, que a criação de um novo partido seria uma forma de “dar uma lição aos partidos, que necessitam de se renovar e de responder aos anseios da sociedade civil”.
Há dois anos a frase de Alegre seria provavelmente reduzida a mais um arrufo do poeta, no interior do PS. Dita hoje, nas vésperas do 25 de Abril de 2009, soa demasiado ao diagnóstico da doença que atinge transversalmente o sistema partidário português.

quarta-feira, 22 de Abril de 2009

A Bicicleta de Sócrates

Com a crescente degradação das principais instituições nacionais já só faltava a tentativa de o PS atingir a presidência da república. Durante a semana, António Vitorino identificou o alvo, considerando “o último discurso do Presidente da República como próximo do da líder da oposição”, não fosse alguém estar distraído em relação ao destinatário do aviso que “Portugal não precisa da política de recados, do remoque, do bota-abaixo”, proferido por José Sócrates na entrevista de ontem. A prestação televisiva acabou por ser mais do mesmo, com o Primeiro-Ministro a aproveitar a oportunidade para minimizar os sinais públicos do acentuado desgaste do governo. E apenas com duas novidades: o abandono da generalista “campanha negra” da comunicação social, trocando-a pelo ataque personalizado ao Jornal da Noite da TVI, e a tentativa de acantonar o Presidente da República ao garantir que não acredita que Cavaco Silva "se deixe instrumentalizar pela oposição", designadamente porque na “política cada um tem que pedalar a sua própria bicicleta”.
No impulso não resistiu a considerar que ambos “não têm a mesma mundivivência nem a mesma cultura política”... Se isto é o novo modelo de cooperação institucional, em tempo de crise, então José Sócrates vai ter muito que pedalar até às eleições legislativas.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Enquanto há vida há esperança

Três anos depois da primeira edição nacional (Janeiro de 2006), Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner chegam a Loures com a análise municipal do seu título “Freakonomics – o estranho mundo da economia”. O assunto tornou-se tão sério que os dirigentes municipais foram todos convocados para “análise e discussão do livro”, mas só no dia 25 de Março. Talvez para terem tempo de ler e extrair as devidas lições da obra, cujo subtítulo é “o lado escondido de todas as coisas”. Confesso estranhar a súbita apetência pela dissecação dos livros de economia e gestão. Não sei se pela conjuntura da crise que atravessamos ou pelos títulos apelativos que os reputados autores empregam, como por exemplo, “como é que os peritos – desde os criminologistas aos agentes imobiliários, dos políticos aos cientistas – distorcem os factos”, “por que é que os traficantes de droga ainda vivem em casa dos pais” ou “por que é que as prostitutas ganham mais do que os arquitectos”, parece que finalmente alguém se sentiu motivado para aprender alguma coisa sobre economia. Podemos, enfim, ter a esperança de que as reuniões municipais sejam mais ricas de conteúdo. Assim, aproveitando o entusiasmo conjuntural, recomendo também a leitura de outras edições, bastante acessíveis, como “O Economista Disfarçado” de Tim Harford, “O Que é a Gestão” de Joan Magretta ou “Vencer” de Jack Welch.

sábado, 14 de Fevereiro de 2009

Dia de São Valentim


"Beija Eu" - MARISA MONTE

quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Festival mini bock

Ainda deslumbrados com o presente envenenado de uma praça de eventos, os responsáveis municipais de Loures nem perceberam que perderam o principal evento anual – Festival Super Bock Super Rock – para o município vizinho de Lisboa.
Anos sem fim de isenções de taxas mal concedidas, apoios financeiros e humanos concedidos pela autarquia, sem qualquer contrapartida, terminaram sem uma palavra dos promotores, que já vendem bilhetes para a edição deste ano. Mas desta vez, para o estádio do Restelo, é claro!
Nesta matéria, as estratégias prosseguidas pelos municípios de Oeiras e Lisboa em relação aos eventos “Oeiras Alive” e “Rock in Rio” (onde foram pagas taxas investidas em infraestruturas no parque da Belavista), embora distintas, estão a anos luz da falta de visão local. Aliás, só no último ano surgiu a menção na publicidade estática, embora de forma tímida, do verdadeiro local de realização do evento até 2008 - Parque Tejo sito em Sacavém, Loures.