Embora o resultado da recente disputa eleitoral na Distrital de Lisboa do PSD fosse demasiado previsível, não deixou de ser angustiante a falta de ideias de ambas as candidaturas. Acertaram, inicialmente, na premissa de falar para fora, de ir ao encontro da sociedade civil e dos seus problemas. Mas acabaram por cair no oposto, nos fracos “soundbytes” para consumo interno: uma secção por concelho, estrutura coincidente com os limites geográficos da área metropolitana, descobertas mais ou menos óbvias de ficheiros falseados… Ou seja, mais do mesmo daquilo que a estrutura distrital nos habituou nos últimos anos. Sobre o desemprego crescente na AML ou a agonia do comércio tradicional, nada, sobre a escassez de centros de saúde e o elevado número de utentes sem médico de família, nada, sobre a elevada carga fiscal municipal ou a forma de os municípios responderem aos novos desafios motivados pela descentralização de competências, nada, etc, etc.
Adquirem, assim, maior ênfase no caso do distrito de Lisboa as palavras do fundador do PSD, Francisco Pinto Balsemão, quando defendeu a necessidade de “termos de sair deste impasse, sob pena de caminharmos para um lento suicídio”. O que no caso da capital corresponderá a mais dois longos penosos anos.
Por outro lado, a equipa vencedora, que transporta na sua composição alguns dos responsáveis políticos pela entrega da câmara municipal de Lisboa a António Costa, ainda considerou como “resultados históricos”, os obtidos nas recentes eleições autárquicas. Depois dos desastres eleitorais em Azambuja, Amadora, Loures, Oeiras e de certo modo em Vila Franca de Xira (não esquecendo que o objectivo anunciado para Odivelas consistia em ganhar as eleições), o presidente reeleito considerou em carta eleitoral como “histórico” manter as câmaras de Cascais, Mafra e Sintra! É necessário recordar que presidentes seus antecessores apresentaram a demissão como consequência de resultados significativamente mais honrosos.
Este constante insulto à inteligência dos eleitores, e no caso concreto aos militantes do PSD de Lisboa, faz-me recordar um episódio recente passado no mundo do futebol (desculpem-me os meus amigos sportinguistas): após o clube de Lisboa ter sido humilhado por 5-2 pelo Real Madrid, alguns responsáveis do clube vieram a público manifestar a sua satisfação por terem “ganho” 2-0 na segunda parte …








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