sábado, 2 de junho de 2007

Importam-se de repetir?

Tenho estima pessoal por Fernando Negrão. Revelou-se tecnicamente competente nas áreas por onde passou e tem a reputação de ser credível e sério. Em suma, a representação que os lisbonenses tinham em 2005 de Carmona Rodrigues. No entanto, o acto de candidatura municipal não é um acto individual e isolado, mas colectivo. E aqui é que surge a dúvida. “Lisboa a sério?” Porquê? Estariam, antes, a brincar? Quem é que, anteriormente, não levou Lisboa a sério? Pelo que consta foi a anterior equipa. A não ser que tenham sido os poucos (dois) que não foram reconduzidos na actual lista, o que me parece pouco provável.
Fernando Negrão demonstrou coragem na aceitação do desafio, em condições manifestamente difíceis, quando outros com maiores responsabilidades na situação criada se recusaram a ir a jogo. No entanto, o candidato ao não ter rompido com o passado na formação da lista, apesar dos avisados conselhos públicos de altos dirigentes do PSD, acaba por arrastar atrás de si o peso da herança do mandato em curso e consequentemente será julgado nas urnas, ainda que injustamente, pelos sucessivos erros de terceiros que conduziram à implosão da maior Câmara de gestão social-democrata.
Daí que o slogan de arranque na pré-campanha se revele pouco feliz. E mais ainda quando Fernando Negrão apresentando uma equipa de continuidade tentou ensaiar nas primeiras entrevistas um discurso de ruptura com o passado, afirmando: “Quem integrar as minhas listas terá a menção expressa de que a Câmara de Lisboa não será mais uma agência de empregos. Comigo a agência de empregos acabará”.

Sem comentários: