quinta-feira, 19 de junho de 2008

Os portugueses mereciam mais

Chegou ao fim o sonho de Portugal. Para tal bastou enfrentar uma equipa organizada e fiável. Sobre o Euro 2008 fui, entretanto, recebendo nos últimos dias alguns mail’s inquirindo sobre o motivo de ter destacado o resultado do primeiro jogo da nossa selecção e não ter mencionado os seguintes. A principal razão foi os compromissos que me impediram de escrever com a normal regularidade. A outra decorreu da sucessão de incidentes em torno da selecção que contribuiu para o decréscimo de entusiasmo de todos nós, que merecíamos muito mais da nossa equipa e dos seus responsáveis. Para não falar dos milhares de emigrantes que proporcionaram momentos raros de entusiasmo em torno de uma selecção de futebol. Exemplos dos incidentes não faltam:
- Ainda em território nacional, os cerca de dois mil viseenses que lutaram por adquirir um bilhete para um jogo-treino da selecção, enquanto seis mil convidados das empresas patrocinadoras garantiam o acesso gratuito;
- O anúncio prematuro e inoportuno do contrato milionário de Luiz Filipe Scolari com o Chelsea enquanto era solicitada concentração aos jogadores, perante o assédio de clubes e empresários. Rever hoje as imagens da conferência de imprensa realizada dias antes do início do Euro 2004 por Scolari, proferindo então palavras violentas sobre uma fuga de informação relacionada com uma alegada transferência para um clube nacional chega a ser um exercício chocante;
- A equipa pouco competitiva com que Portugal se apresentou frente a uma das poucas selecções com que era proibido perder. A Suiça, que garantiu a primeira vitória em fases finais de um europeu de futebol. Uma das duas equipas anfitriãs da prova realizada no território onde vivem e trabalham milhares de emigrantes portugueses, aqueles que pagaram quinze euros pela visualização de um mero treino da selecção…
- A afirmação de Scolari de que Portugal com as duas primeiras vitórias tinha cumprido o seu objectivo. Como se sabe, não voltou a ganhar um único jogo.
- A atitude obscura, irresponsável e pouco explicada da Federação Portuguesa de Futebol perante a UEFA no processo que legitimará o representante nacional na Liga dos Campeões deu mais uma vez a imagem que as estruturas organizativas do futebol português não acompanharam o salto qualitativo dos seus praticantes.
Infelizmente este é o nosso fado. Uma cúpula dirigente com a visão de uma caixa registadora e uma equipa composta por vários dos mais promissores jogadores do futebol mundial transformada num alegre grupo excursionista.

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