terça-feira, 24 de junho de 2008

Paridade variável

Por vezes os municípios celebram protocolos com objectivos muito diferentes das suas práticas ou sem consequências maiores do que o pequeno espectáculo pontual da sua assinatura. Recentemente, colhemos um exemplo em Loures através do protocolo celebrado com a Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género (CIG). Segundo os signatários pretende-se implementar medidas que promovam a igualdade entre homens e mulheres e a representação equilibrada dos dois sexos na vida cívica, social, política e laboral. E independentemente da opinião que tenhamos do regime imposto pela lei da paridade seria por princípio um nobre desígnio. No entanto, um olhar mais atento sobre a realidade do texto induz-nos outra análise. Uma das cláusulas, por exemplo, consagra a necessidade de o município “promover a representação equilibrada dos dois sexos na designação para cargos e funções autárquicas”. Apesar disso, na mesma reunião de câmara em que a redacção do protocolo foi aprovada, outra proposta sobre a representação municipal nos Conselhos Gerais Transitórios dos Agrupamentos de Escolas e Escolas Secundárias não integrava sequer uma mulher no conjunto dos seus três elementos …

1 comentário:

José Luís Figueira disse...

Esta questão da paridade é mais uma das falácias dos tempos modernos. Como pode uma pessoa supor que a institucionalização de quotas por género promove - ainda que a médio e longo prazo - a integração natural do género, supostamente representado de forma deficitária?
Está-se a abrir uma caixa de Pandora onde tudo poderá vir a caber. Porquê pelo género? Porque não portadores de necessidades especiais (estes já com reserva de quotas em alguns concursos públicos), origens geográficas, profissão exercida, cor de pele, etc, etc.
A propósito das quotas por cor de pele nem sequer seriam novidade. Recordo o meu avô, o Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça Eduardo Silveira Machado, contar que nos anos 40, em Coimbra, existir uma espécie de quotas encapotadas para o número de estudantes de raça negra que "podiam" completar a licenciatura em Direito. Eram uma outra espécie de quotas!
A cidadania deverá ser exercida sem condicionalismos seja na vida política ou social.
Quanto ao município de Loures:
Vereadores com pelouro: cinco do género masculino.
Vereadores sem pelouro: quatro do género masculino e um do género feminino.
Bem prega Frei Tomás...