Numa conjuntura favorável, criada pela dinâmica de vitória nas Europeias, o PSD tinha a obrigação de apresentar no quinto maior concelho do país uma candidatura ao município que fosse credível, preparada e capaz de competir com os 26,18%, obtidos por Pacheco Pereira em 1989, em vez de se apresentar para superar os mínimos, ou seja, os 16,43% de Miguel Frasquilho em 2005. Só assim se entende que uma candidatura, já de si diminuída pela falta de legitimidade com que foi decidida, também tenha escolhido de forma pouco ambiciosa a freguesia da Portela para a sua apresentação, sendo mesmo insólito que o Partido Social Democrata apresente uma candidatura à câmara municipal de Loures fora da sede do concelho.
Por outro lado, é uma candidatura demasiado amarrada à lamentável passagem de personagens ligadas ao PSD pelos pelouros, pelas empresas municipais e pelos serviços municipalizados, no presente mandato, o que as liga umbilicalmente aos maus resultados da gestão municipal. O silêncio ensurdecedor decorrente de quase dois anos de ausências mal explicadas e justificadas da candidata na Assembleia Municipal, onde foram aprovados agravamentos de taxas e impostos municipais, orçamentos despesistas e discriminatórios em relação a várias freguesias como a Portela, não dá grande margem para que se empunhem algumas das bandeiras eleitorais, tão caras ao PSD, como a redução responsável da carga fiscal municipal. Nem cola com a política de verdade, de falar verdade com que a direcção nacional do PSD pauta e bem as suas propostas. Apesar do esforço que alguns, muito poucos, foram fazendo para respeitar os compromissos eleitorais, o que por ironia ainda poderá ajudar a limar o discurso.
Esta incongruência assume um verdadeiro obstáculo eleitoral para o PSD. Como conciliar o discurso nacional de um partido que se apresenta ao país como única alternativa credível ao governo de José Sócrates e o discurso local de quem ambiciona, somente, gozar o clima de lua-de-mel e que o dia seguinte às eleições lhe traga a repartição do espólio?
Adenda: Mail enviado por um leitor identificado, “Caro Guedes da Silva, o senhor é um optimista. É que a partilha do espólio já começou. Numa madrugada desta semana dava gozo ver os seus companheiros de partido (grupo onde pontificavam, entre um bando de jotinhas, um ex-vereador muito dado ao convívio com o PS e um ex-deputado municipal que pregou uns calotes à GesLoures) a confraternizar na churrasqueira de Sacavém com dois vereadores socialistas, que circulam por esta área. A animação era de tal ordem que mais parecia estarem a festejar a passagem de ano, não fosse o caso de ser audível que o motivo de tal algazarra era afinal o resultado de uma contenda interna do seu partido. Gabo-lhe a paciência e a resistência.”







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