A imagem nua e desoladora da sala do hotel Altis contrastou durante grande parte da noite com os elevados graus de profissionalismo e de investimento que o PS apresentou ao longo da campanha: desde a máquina organizativa dos comícios à própria moldura humana reforçada por espelhos …A forma atabalhoada e ressentida como o PS começou a reagir às primeiras previsões (ainda não eram conhecidos os primeiros resultados oficiais) quase se torna ridícula à distância se nos recordarmos que nas intercalares de Lisboa, António Costa teve direito a vários autocarros com apoiantes arregimentados no norte do país para compor a mesma sala. A forma desagradável e agressiva como os ministros Mário Lino e Maria de Lurdes Rodrigues reagiram às tentativas dos jornalistas obterem declarações é reveladora de como o PS tem habitualmente mau perder (nem se dignou a cumprimentar formalmente os vencedores) e de como na mais completa cegueira política não tinham equacionado a mínima hipótese de não ganharam as eleições europeias. Mesmo assim, foi um José Sócrates trapalhão e nervoso que tentou responder aos jornalistas, sem o auxílio do habitual teleponto e coordenando ele próprio a ordem das perguntas, num grau de improviso que também não lhe é habitual.
Poder-se-ia dizer que o mau resultado nas eleições europeias não teria uma leitura imediata nas eleições internas que se avizinham. Até porque os protagonistas serão diferentes. Seria assim, se o primeiro-ministro não se tivesse envolvido directa e empenhadamente na campanha e se os principais temas não tivessem incidido maioritariamente na política nacional. Por outro lado, na maioria dos países da Europa Ocidental os partidos apoiantes dos governos acabaram por não ser penalizados, o que não sucedeu em Portugal e em Espanha, onde Zapatero foi derrotado pela primeira vez. Pelo que não colhe a teoria de José Sócrates de que o PS teria sido vítima da conjuntura da crise económica (manifestou a intenção de que “o governo vai manter o rumo”), não reconhecendo que o desastre eleitoral derivou precisamente da forma como o governo não soube reagir à crise, perdendo-se no anúncio de medidas avulsas e despesistas, que não só não resolvem os problemas no longo prazo como amarram os futuros governos a decisões ruinosas, quando se trata da ligação Lisboa-Porto em alta velocidade. Esperam os portugueses que o governo retire as ilações adequadas destes resultados, invertendo o caminho na teimosia pela opção dos grandes investimentos nas obras públicas.







1 comentário:
Realmente foi patética a forma como alguns dos principais e mediáticos dirigentes do Partido Socialista reagiram aos resultados eleitorais.
Incrédulos, em estado de choque, balbuciavam frases desconexas onde era perfeitamente perceptível a ausência de um plano de comunicação para o resultado eleitoral negativo.
Mal andaram os dirigentes do PS e os conselheiros de comunicação pois é do mais elementar bom senso, quando de eleições se trata, estar preparado para o inesperado.
Mas o que importa e deve ser realçado é a dinâmica de viragem que a partir de agora é possível antever.
Espero que o Partido Social Democrata saiba cativar e aproveitar os seus quadros mais capazes e experientes.
José Figueira
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