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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Hecatombe do PS em Loures

Só por piada e alguma falta de decoro é que a câmara municipal de Loures, dois dias decorridos após as eleições europeias, resolveu destacar no seu site a vitória do PS no concelho. Escamoteando a perda de 11.953 votos os autores da notícia servem-se de um meio teoricamente institucional como se de uma vulgar página partidária se tratasse, manipulando a informação e desprezando os ganhos significativos dos adversários, no habitual estilo propagandístico.
Ainda não percebi se foi a presunção ou o sentimento de alívio que inspirou os mentores da notícia. A presunção de julgarem que a responsabilidade pelos maus resultados se esgota na má opção pelo dissidente comunista Vital Moreira, mas que o mandato da câmara municipal tem sido tão bom que “só” desceram de 46,42% para 29,02%... Ou o alívio de constatarem que mesmo usufruindo das ajudas do ministro da Administração Interna e da governadora civil, que montaram tenda eleitoral em Loures, o desastre teve esta dimensão, o que não seria se não beneficiassem das visitas mediáticas mensais destes responsáveis. Enquanto não esclareço a dúvida, prefiro colaborar com os leitores divulgando os mapas oficiais comparativos das eleições europeias de 2009 e 2004 em Loures:


Fonte: DGAI

Adenda: Entretanto o texto do site municipal já foi corrigido...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Altis sem espelhos

A imagem nua e desoladora da sala do hotel Altis contrastou durante grande parte da noite com os elevados graus de profissionalismo e de investimento que o PS apresentou ao longo da campanha: desde a máquina organizativa dos comícios à própria moldura humana reforçada por espelhos …
A forma atabalhoada e ressentida como o PS começou a reagir às primeiras previsões (ainda não eram conhecidos os primeiros resultados oficiais) quase se torna ridícula à distância se nos recordarmos que nas intercalares de Lisboa, António Costa teve direito a vários autocarros com apoiantes arregimentados no norte do país para compor a mesma sala. A forma desagradável e agressiva como os ministros Mário Lino e Maria de Lurdes Rodrigues reagiram às tentativas dos jornalistas obterem declarações é reveladora de como o PS tem habitualmente mau perder (nem se dignou a cumprimentar formalmente os vencedores) e de como na mais completa cegueira política não tinham equacionado a mínima hipótese de não ganharam as eleições europeias. Mesmo assim, foi um José Sócrates trapalhão e nervoso que tentou responder aos jornalistas, sem o auxílio do habitual teleponto e coordenando ele próprio a ordem das perguntas, num grau de improviso que também não lhe é habitual.
Poder-se-ia dizer que o mau resultado nas eleições europeias não teria uma leitura imediata nas eleições internas que se avizinham. Até porque os protagonistas serão diferentes. Seria assim, se o primeiro-ministro não se tivesse envolvido directa e empenhadamente na campanha e se os principais temas não tivessem incidido maioritariamente na política nacional. Por outro lado, na maioria dos países da Europa Ocidental os partidos apoiantes dos governos acabaram por não ser penalizados, o que não sucedeu em Portugal e em Espanha, onde Zapatero foi derrotado pela primeira vez. Pelo que não colhe a teoria de José Sócrates de que o PS teria sido vítima da conjuntura da crise económica (manifestou a intenção de que “o governo vai manter o rumo”), não reconhecendo que o desastre eleitoral derivou precisamente da forma como o governo não soube reagir à crise, perdendo-se no anúncio de medidas avulsas e despesistas, que não só não resolvem os problemas no longo prazo como amarram os futuros governos a decisões ruinosas, quando se trata da ligação Lisboa-Porto em alta velocidade. Esperam os portugueses que o governo retire as ilações adequadas destes resultados, invertendo o caminho na teimosia pela opção dos grandes investimentos nas obras públicas.