Depois da rábula da redução da carga fiscal fomos presenteados na última semana com uma versão local do milagre das rosas, concretizada no aumento do PIDDAC para 2008.O argumentário empregue pelo presidente da Câmara Municipal de Loures surpreende pelo que traduz de menor consideração intelectual pelos munícipes. Daí que não resista a recuperar algumas das justificações fornecidas a uma rádio local:
“O presidente da Câmara Municipal de Loures considera que não se pode falar num corte nas verbas do Programa de Investimentos e Despesas da Administração Central (PIDDAC) para o próximo ano. Existem, nomeadamente, outros investimentos como iniciativas da autarquia que contam com o apoio do Estado e de outros programas. Carlos Teixeira afirma que é preferível não criar expectativas e ter um PIDDAC o mais realista possível. “À semelhança do que nós fazemos no município o governo também tem que o fazer, porque inscrever em PIDDAC e depois não conseguir realizar é defraudar as expectativas do município, entendo que é preferível do que andar a especular e depois saímos todos mal no filme. É preferível que seja o mais realista possível e se efectivar o que está previsto já não é de todo negativo para o município de Loures”, refere o autarca (…) Hoje já estamos bem servidos de muitos equipamentos (?!) e portanto terá que haver uma distribuição mais igual pelos municípios mais carenciados. Se vier a concretizar-se o que está previsto para Loures não será mal de todo, porque o ano anterior foi muito fraco.”
Relativamente à construção do novo hospital de Loures, o presidente da Câmara está convicto que existem condições para que as obras “ avancem no próximo ano”, já que as propostas “vão ser abertas este mês”. No próximo ano o concelho de Loures vai contar com uma verba inscrita em PIDDAC de pouco mais de três milhões de euros. Em 2006 a verba destinada ao município situava-se em cerca de 5 milhões.”
Em suma, conseguiu transformar os raros investimentos previstos para 2008, designadamente a esquadra de Camarate, a escola João Villaret e a Casa de Repouso dos Motoristas de Camarate, num melhor PIDDAC, preocupantemente reduzido mas mais realista, de acordo com o anormal cumprimento das promessas do Governo.
E o Hospital de Loures?
O discurso optimista de que acontecerá sempre um qualquer desenvolvimento no mês seguinte ou no próximo ano não coincide com o texto do Relatório do Ministério das Finanças sobre o Orçamento de Estado para 2008. Aqui as estimativas de encargos plurianuais para contratos em curso apontam para um cenário bastante sombrio e consentâneo com as dúvidas que tenho manifestado sobre os prazos reais de execução e a condução política deste processo. Os 30 anos de infra-estrutura (concepção, construção, operação e manutenção do edifício hospitalar) e os 10 anos de clínica (gestão hospitalar e prestação de cuidados de saúde), orçados em € 1.340.452.000, estão previstos somente para os anos de 2011 e seguintes …, ao contrário das unidades de Cascais e Braga (a partir de 2008) ou de Vila Franca de Xira (para 2009). Ainda acredita?







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