segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Partiu um amigo

Ao longo do desempenho das nossas modestas funções autárquicas o maior património que adquirimos é o da valorização da amizade e do respeito mútuo entre adversários políticos, que partilham a mesma forma de estar e servir a causa pública. Um dos exemplos que ilustram esta consideração é o de Adão Barata, recentemente falecido. O cenário político local só não fica mais pobre porque a doença já não permitia há muito que Adão Barata desempenhasse as funções de Vereador para que foi eleito no presente mandato. Mas o mesmo não se poderá garantir em relação ao facto de deixarmos de conviver com o seu trato afável e humano porque, irremediavelmente, se perdeu um amigo.
Lamento que a ausência oportuna de informação sobre a sua “partida” impedisse uma última e merecida homenagem.

2 comentários:

Madalena disse...

O Adão é amigo de infância do meu marido.Digo é e sublinho é porque os amigos mesmo quando se ausentam permanecem na memória e os laços continuam muito apertados. O Adão dizia. O Adão fazia. Há muitas memórias do Adão. Eu sei que o Adão era um homem bom e um homem bom é inesquecível e o seu lugar não é ocupável em nenhum dos sítios da vida de que fez parte. Lamento a dor dos filhos e da mulher. Lamento a dor dos amigos e desejo que o seu exemplo seja sempre lembrado. O Adão foi aluno da minha sogra. Todos os Natais marcava a sua presença com palavras muito amigas e doces, mesmo quando a doença ou a perda dos seus familiares queridos podiam interferir na felicidade das festas. Com a bondade que era reconhecidamente um dos traços do seu carácter, o Adão não faltou nunca, ao longo de todos estes anos, ao seu "Feliz NataL" à professora dos tempos idos. Até um dia, Adão!

Unknown disse...

O Adão Barata foi meu amigo de infância. De quem guardo uma grata memória, embora, há muitos anos longe da vista, mas nunca do coração. Andamos na mesma escola, tivemos os mesmos professores, brincamos com os mesmos amigos, pisamos a mesma terra angolana. Fui acompanhando, à distância, o percurso profissional e político do Adão. Reconheci, nos testemunhos de amigos comuns e de colegas de profissão, o seu perfil de homem bom e solidário. Não duvido que o Adão nos faz falta, para mais nos tempos que correm, em que as ideias, os valores e a utopia fenecem, em que a amizade e a solidariedade vão perdendo sentido e adeptos. Consola-me que um dia, mais tarde ou mais cedo, eu e o Adão nos reencontraremos. Nesse dia desfiaremos as nossas recordações de meninos, ressuscitaremos afectos. Ficaremos para sempre juntos. Todos. Com os que já lá estão e com os que se nos juntarão.
Toni Dinis.