sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Um ano depois...

Completou-se esta semana um ano sobre a data da primeira das grandes cheias - 30 de Setembro - que assolaram no último ano o concelho de Loures e, em particular, a baixa de Sacavém. Já muito se disse e escreveu sobre a matéria. Esperar-se-ia que doze meses depois tivessem ocorrido as intervenções urgentes e preventivas como o desentupimento dos colectores e sarjetas e a regularização do leito da ribeira do Prior Velho, entretanto entulhado com o depósito de materiais oriundos do aterro ilegal de uma obra contígua. Assim como se aguardariam obras e planos concretos sobre o destino das habitações e estabelecimentos comerciais implantados num nível abaixo do mar, que se encontram na baixa de Sacavém.
Não se esperaria, decerto, como aconteceu na Assembleia Municipal desta semana, um rosário de desculpas e fórmulas esfarrapadas que não resolvem, não respondem e, por vezes, até insultam a inteligência dos munícipes que ainda se dão ao trabalho de deslocar às reuniões da assembleia magna do concelho, nomeadamente quando alguns são comerciantes e não viram até ao momento um euro do famigerado fundo municipal de apoio às vítimas de € 500.000. Confirmar, por ironia, "que cheias sempre existiram, mas na realidade foi a primeira vez que ocorreu uma a 30 de Setembro" é uma piada boçal que fica muito mal na boca do presidente de uma edilidade.
Neste cenário de incredibilidade até acabou por soar a ridículo o anúncio, entoado por um presidente de junta de freguesia da maioria socialista, da assinatura do auto de construção do açude da ribeira, pago pela SimTejo, como se lá do alto do Prior Velho uma pequena obra tida como miraculosa, anunciada e prometida pela enésima vez, resolvesse o cenário de incúria e desleixo que se assiste na baixa da segunda cidade administrativa do concelho de Loures.
Depois disto, só falta que tenham a desfaçatez de promover uma cerimónia de propaganda para entrega dos cheques, utilizando como figurantes os comerciantes que andam há um ano a ser acusados de subsídio-dependentes pelo presidente do município.

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