segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Vítimas das cheias utilizadas para propaganda eleitoral

Tal como perspectivei no post anterior, infelizmente o presidente da câmara municipal de Loures seguiu o guião da demagogia eleitoral e marcou, não uma mas três (!) cerimónias de entrega dos cheques às vítimas das cheias. À porta fechada com a imprensa e marcadas clandestinamente, sem conhecimento dos vereadores da oposição, como convém a quem está eleitoralmente desesperado e manifesta sérios tiques de cultura anti-democrática, o que merecerá tratamento adequado, em breve.
A festa, apesar de marcada cirurgicamente para territórios de gestão socialista - Frielas, Sacavém e Loures, embora as indemnizações respeitassem a mais três freguesias de gestão social-democrata e comunista - Portela, Camarate e Bucelas, não terá corrido com o resultado esperado, conforme se pode verificar aqui e ali.
Decorridos sete meses após a aprovação de um fundo municipal de apoio às vítimas das cheias em Loures, e sem que o mesmo tivesse sido diligentemente aplicado, para desespero dos habitantes e comerciantes mais lesados, foram estes utilizados como figurantes por aquele que os acusou durante este tempo, em diversas sessões públicas, de serem subsídio-dependentes.
Foram, ainda, necessários o empenho político do PSD e a deslocação pessoal de dezenas de habitantes e comerciantes, maioritariamente oriundos da baixa de Sacavém, a três sessões da assembleia municipal de Loures, para que a edilidade finalmente desbloqueasse a verba aprovada de € 500.000,00.
O fundo de apoio, que se destinava à “reposição da normalidade das condições de vida da população afectada”, minimizando os prejuízos materiais sofridos e proporcionando uma rápida retoma das várias actividades comerciais, só agora foi disponibilizado e sem que previamente a vereação tivesse sido informada da listagem de indemnizações e respectivos destinatários.
É de lamentar que ao fim deste tempo o executivo do Partido Socialista, sendo protagonista de tamanha ineficácia, não tenha hesitado em utilizar a condição económica precária de alguns munícipes e das suas famílias, em mais um exercício de demagogia e propaganda eleitoral, enquanto se assiste ao repetido estado de desleixo e perigo de inundação nas áreas afectadas, designadamente com sarjetas e colectores de águas pluviais a permanecerem totalmente entulhados na baixa da cidade de Sacavém.

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