Mostrar mensagens com a etiqueta Freeport. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Freeport. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Matar o mensageiro

Escudado no comunicado da Procuradoria-Geral da República, José Sócrates insistiu hoje na prática de matar o mensageiro, perante as más notícias (as de hoje apontavam o primeiro-ministro como suspeito, pelas autoridades inglesas). Sobre a investigação inglesa, a origem factual das notícias, nem uma palavra. Preferiu, antes, a expressão de "campanha negra" feita contra a sua pessoa e acusou os jornalistas de usar técnicas de "deturpação e de insídia", o que não deixa de ser irónico. Difamar ao defender-se de uma pretensa difamação.
Com os dados conhecidos até ao momento, os partidos políticos com assento parlamentar (exceptuando o BE) optaram por considerar, e bem, que o caso deve ser tratado no âmbito judicial. No entanto, José Sócrates insiste em abordá-lo numa perspectiva política, mas só na parte que lhe permite o exercício estafado da vitimização, continuando a contornar a obrigação de explicar ao país os pressupostos políticos da alteração da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo.

Adenda: A TVI desmentiu o conteúdo das declarações de Cândida Almeida, ao adiantar que a Polícia inglesa forneceu informação e material às autoridades portuguesas, na sequência de uma carta rogatória da procuradoria do Montijo, datada de 2005.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A cor do dinheiro

Alguns dos que insinuaram ligações accionistas do presidente da República à rápida promulgação da nacionalização do BPN foram os mais lestos a encontrar vestígios conspirativos no tratamento noticioso do “Freeeport”. Só a criação desta ficção justifica que até Henrique Monteiro tenha escrito no Expresso: “sempre que Santana avança saltam processos mais ou menos estranhos que o envolvem. E agora, saltou de novo o caso 'Freeport', que anda desde 2004 a ser investigado. Mais uma vez irrompeu num ano eleitoral. Posso estar a ser injusto e a induzir conclusões que não são válidas. Mas é sinceramente o que me parece acontecer neste país desgraçado.”
Assim como a maioria da opinião publicada, próxima do PS, desvirtuou o debate do caso “BPN”, afastando-o do problema fundamental das deficiências na supervisão financeira, também no caso “Freeport” tenta criar um cenário de cabala (após a ensaiada desvalorização inicial), sugerindo inclusive que as suas motivações são eleitorais, à semelhança de outras que envolveram o primeiro-ministro neste mandato e em que o PSD surge inevitavelmente como principal interessado. Omite-se o essencial do caso: os fortes indícios de corrupção e o rasto do dinheiro.
O primeiro-ministro sabe que os dirigentes do PSD, sensatamente, não farão comentários sobre meras presunções nem assumirão posições que possam prejudicar o desenvolvimento das investigações, o que o acabará por beneficiar enquanto a situação for tratada no plano da justificação política. É neste plano que entra a habitual “gritaria” vitimizante de José Sócrates e sobre a qual escreve de forma certeira o António Ribeiro Ferreira no Correio da Manhã.
Também hoje, porque não estava em causa justificar pessoalmente as suas habilitações académicas, delegou no ministro da presidência a criação de ruído na comunicação social. Silva Pereira veio “esclarecer os portugueses” sobre a sua versão, em entrevista à SIC. A ladainha durou vinte minutos até Mário Crespo, cansado do exercício, resolver colocar um conjunto de questões pertinentes e objectivas (porque é que um ministro com competências delegadas foi a uma reunião decidir um projecto tão sectorial? em que data foi a reunião? a secretária era prima do ministro do Ambiente? havia troca de favores por dinheiro?), que não tiveram resposta do ministro, por as considerar um insulto… Afinal, tinha-se preparado para o habitual tempo de antena e não propriamente para responder a perguntas que não estivessem previstas no guião.
E já que Silva Pereira se mostrou hábil no “jogo de palavras”, uma simples dúvida: porque é que na conferência de imprensa José Sócrates se referiu ao “primo” como o “filho do tio”?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Tio e o Sobrinho

O conteúdo vago das primeiras notícias sobre a investigação inglesa do caso “Freeport” não permitirá retirar ainda grandes conclusões. E muito menos utilizar as diligências judiciais em casa do “tio” para chegar ao “sobrinho”, como parecem sugerir os principais títulos noticiosos. Mas daí a antecipar um fenómeno conspirativo, como acaba de fazer Miguel Sousa Tavares na TVI, vai uma enorme distância. “Bomba de fragmentação comandada à distância (de Inglaterra)” foi o veredicto do comentador, lamentando de seguida: “vamos ver se um dia não nos vamos lembrar que José Sócrates começou hoje a perder as eleições…”. E apelou ao primeiro-ministro para rapidamente explicar a decisão "política" de alterar, em 2005, a Zona de Protecção ao Estuário do Tejo, recordando que o licenciamento do investimento terá sido efectuado pela tutela da economia. Chama-se a isto “chutar para canto”…