Já não há paciência para os truques publicitários ou panfletários de José Saramago. A adaptação cinematográfica do “Ensaio sobre a Cegueira” pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles parece ter trazido uma súbita necessidade de continuar a alimentar, sem quebras, o filão comercial da obra do Nobel português. Assistimos assim, posteriormente, à promoção macabra da “Viagem do Elefante” como o provável último livro de Saramago, dada a sua precária situação de saúde. E agora constatamos a polémica gratuita em relação à Bíblia, despoletada e fomentada pelo próprio durante o périplo da promoção do livro “Caim”.A conhecida falta de fé de Saramago será sempre um problema de âmbito pessoal. A sua má-fé expressa no oportunismo comercial já atinge a sua relação com os leitores.







