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segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Respeito e o Verbo

Embora pecando por tardia foi apresentada na última reunião municipal uma moção manifestando preocupação com os impactos da linha ferroviária de alta velocidade na zona norte do concelho de Loures. Desde que a RAVE promoveu uma sessão de apresentação do traçado, há cerca de um ano, não se conhece nenhuma medida ou acção do executivo socialista que transmita o mínimo incómodo por este traçado ir dizimar a região vinícola de Bucelas e comprometer a recuperação das margens do rio Trancão na área de Sacavém. E também é conhecida a situação do Governo não “passar cartão” à câmara de Loures, como se constatou nos casos do hospital de Loures e dos terrenos do Quartel de Sacavém. Mas mesmo assim, continua a haver um excesso de respeito institucional, não vá um qualquer passo em falso comprometer alguma ambição política destes responsáveis. Daí que a referida moção só foi aprovada por maioria depois de um “lifting” no texto, ao ponto de o tornar inócuo nas suas deliberações. E onde até o verbo “exigir” teve que ser substituído por “interceder”. Perante este exercício de hipocrisia não pude votar favoravelmente o documento, apesar de concordar com os seus pressupostos. E por estar convencido que a única moção eficaz nesta altura será uma vitória do PSD nas eleições legislativas, que acabe com o devaneio despesista da ligação de TGV entre Lisboa e Porto.

domingo, 18 de maio de 2008

A rolha em alta velocidade

Apesar de o debate sobre o traçado de TGV entre Lisboa e Alenquer já se ter iniciado noutros concelhos só agora começa a dar os primeiros passos em Loures com a apresentação pública pela RAVE – Rede Ferroviária de Alta Velocidade. Existindo duas possibilidades de traçado – poente e nascente – na travessia do concelho de Loures, a empresa insistiu claramente na hipótese poente, aquela que percorre maior área no concelho de Loures (14.458,11m, sendo 3.375m em viaduto e 5.377m em túnel) e que surge recomendada no estudo de impacto ambiental, o que no entanto levanta diversas preocupações: além da necessidade de recuperarmos a frente ribeirinha, o que só foi parcialmente conseguido na área de intervenção da Expo 98, a despoluição do rio Trancão e a requalificação das suas margens surge como um imperativo na aproximação dos núcleos oriental (Sacavém e Unhos) e norte (São Julião do Tojal e Bucelas). Esta solução de traçado poderá comprometer irremediavelmente a ambição de que o vale do Trancão venha a assumir a função de corredor ambiental entre os núcleos mencionados. Por outro lado, os impactos na região vinícola demarcada de Bucelas preveêm-se grandes, pelo que as consequências nas potencialidades agro-turísticas desta freguesia deverão ser ponderados com suficiente prudência. Estas duas preocupações são suficientes para que a alternativa de traçado nascente não possa ser ignorada, aguardando-se maior conhecimento e explicações sobre o enquadramento de ambos os traçados, visto deverem ser ponderadas as implicações no concelho vizinho de Vila Franca de Xira.
Continua por perceber o motivo do aparato criado na sessão de apresentação, com largas dezenas de autarcas e técnicos municipais convidados, para a mesma ser encerrada abruptamente pelo presidente da câmara municipal no final de quatro perguntas, quase impedindo o administrador da RAVE de responder à última...
Numa rara ocasião em que se dispôs de um vogal do conselho de administração da RAVE e cinco responsáveis pelo desenvolvimento do projecto para obter esclarecimentos, imperou a lei da rolha. Diga-se, também em alta velocidade.
(Ver aqui mais informações sobre o projecto)