segunda-feira, 14 de julho de 2008

A agenda da comunicação social

foto retirada daqui
Tal como já havia acontecido na gestão política dos dias seguintes às cheias na baixa de Sacavém, o presidente da câmara municipal de Loures, Carlos Teixeira, desvalorizou os acontecimentos iniciais na Quinta da Fonte para acenar, dois dias depois, com a solução para um problema, que afinal sempre existiu…
A permanência da comunicação social na Quinta da Fonte, como tinha acontecido em Sacavém, e o acampamento cigano esta manhã nos Paços do Concelho inverteram a agenda e a resposta política do executivo municipal.
No fim-de-semana a opinião oficial veiculada pelo presidente da edilidade era de acordo com a imprensa a de que: “Carlos Teixeira, autarca de Loures, ouvido pela TSF, não aceita as justificações dos moradores. “Não estamos num país de selvagens. Não se ocupam casas só porque estão desabitadas”. O autarca disse ainda que não cabe à câmara municipal resolver os problemas de vizinhança”.
Hoje de manhã, a teoria da desresponsabilização deu lugar a um envolvimento na solução (acampamento cigano oblige) e à descoberta de culpados, os africanos é claro! Adiantava o seguinte: "Na Quinta da Fonte não são todos maus. Há uma minoria de grupos que actuam ao cair da noite. Estão, segundo sei, identificados", declarou o autarca em conferência de imprensa, após uma reunião com alguns elementos da comunidade cigana e o advogado desta.
"Tenho a indicação de que naturalmente será a outra comunidade [africana] a atacar, uma vez que é a comunidade cigana que está a ser atacada", respondeu Carlos Teixeira, questionado pelos jornalistas. O autarca disse ter a esperança de que as duas comunidades, cigana e africana, encontrem um entendimento durante a reunião que hoje à tarde vai decorrer no Governo Civil de Lisboa”
.
No início da tarde, o representante da comunidade cigana já garantia o empenhamento municipal em novos realojamentos: “A solução terá que "aguardar pela reunião desta tarde no Governo Civil de Lisboa e um contacto que a Câmara vai fazer com a Segurança Social para arranjar o realojamento", acrescentou o advogado.
Segundo Arrobas da Silva o principal problema é a segurança da comunidade. Mas o “senhor presidente da Câmara mostrou-se muito sensível ao problema”, disse.

Com esta velocidade evolutiva, as propostas do PSD de há um ano atrás, aprovadas por unanimidade e não aplicadas, ainda correm o risco de serem apresentadas pelo PS numa versão refrescada!

1 comentário:

José Luís Figueira disse...

Mas este é, talvez, o maior problema do executivo camarário. A agenda política é determinada por reacção e não por acção. As graves tensões entre comunidades há muito que se vinham a pressentir. Que foi feito? Será que era mesmo necessário chegar a este ponto? Alguém consegue calcular os danos à imagem do município? Eu chego mesmo a questionar se alguns políticos/decisores têm em conta as consequências da sua passividade. Basta de tanto erro!