quinta-feira, 3 de abril de 2008

Parecia mentira

O dia 1 de Abril ficou marcado pela realização de uma Assembleia Municipal em Loures, reunida tardiamente para debater as cheias. Perante uma plateia repleta de habitantes e comerciantes de Sacavém afectados pelas cheias, em situação angustiante e de declarada falência, citando alguns, o presidente do município entendeu “naturalmente” esclarecer a assembleia e o público sobre a definição de “inundação”, que de acordo com uma directiva comunitária será um “fenómeno natural que não pode ser evitado”. E houve direito a repetição, não fosse alguém estar menos atento …
Sobre o famigerado fundo de € 500.000 para apoio às vítimas o esclarecimento incidiu numa rábula sobre um munícipe que não teria direito a indemnização dos seus bens, por alegadamente a mobília lhe ter sido oferecida... Dado o mote entrou-se na glosa. Desde aqueles que se entretiveram com um debate de asfaltamento de ruas aos que de forma entorpecida entraram em confusão cromática, passando pelos "crâneos" em áreas de génese ilegal, tudo serviu para não dar resposta efectiva às dúvidas da população afectada. Parecia, mesmo, mentira. Pior, só o exercício de recordar a entrevista do presidente Carlos Teixeira a um canal televisivo.

1 comentário:

O MARQUÊS DA PRAIA E MONFORTE disse...

O mais difícil na Assembleia Municipal é fazer um debate sem interlocutores. Como sabe, sempre que se tenta debater alguma coisa, sucedem-se as manobras dilatórias, desvia-se o assunto, proliferam as atoardas e as provocações. Neste cenário o mais aconselhável e evitar-se o diálogo e ninguém respondendo a nada.
O PS tem um argumento único em todos os debates. A sua maioria absoluta. Não necessita de ideias, perspectivas ou propostas. A sua maioria absoluta, pensam eles, terá o condão de transformar carvão ideológico em ouro. Alquimia imaginária de quem não compreende a efemeridade do poder. Alquimia política é utilizar essa efemeridade para produzir a perenidade das realizações. Só o perene prolonga o efémero.