terça-feira, 22 de abril de 2008

Os cravos do PS

O Partido Socialista continua dividido entre o anúncio de políticas mais à direita, que lhe vão garantindo o poder e rasgados elogios neste sector, e a esquecida prática testamentária de esquerda, reivindicada por alguns históricos do partido e, mais genuinamente, por Manuel Alegre. Inevitavelmente, estes equívocos adquirem maior dimensão em datas envolvidas por um clima mais emocional e ideológico, como se perspectiva com a aproximação do 25 de Abril. Daí que não se estranhe a preocupação dos históricos – Mário Soares, Manuel Alegre, Maria de Belém, Almeida Santos e Ferro Rodrigues – manifestada na redacção do comunicado da Associação 25 de Abril.
Segundo o diário Público, ao longo do documento pode ler-se que "as incertezas de uma conjuntura económica, afectada pela eclosão e desenvolvimento de várias ordens de crises e, no plano interno, pela permanência dos problemas estruturais de que o país continua a padecer, fazem com que as comemorações do 25 de Abril de 2008 se processem num clima pouco desanuviado e escassamente propício jubilação colectiva (…) Numa altura em que os diversos índices sociais e económicos continuam a remeter-nos para os últimos escalões da Europa Comunitária, não poderá haver lugar para o enfraquecimento dos serviços que cabe ao Estado assegurar".
Mesmo que Vasco Lourenço venha garantir que o documento "não é, de maneira nenhuma", uma crítica ao Governo de Sócrates e que "cada um lê o que quiser", é óbvio que a adesão a tais considerações são o corolário da difícil convivência entre um Governo pouco socialista e os dirigentes mais representativos da esquerda do PS, que assistem ao crescimento eleitoral do PCP e do BE à custa da sua base política tradicional. E que na próxima sexta-feira lá farão o “sacrifício” de desfilar de braço dado na avenida da Liberdade, em nome desta e contra a política do governo de José Sócrates...

Sem comentários: