quinta-feira, 22 de maio de 2008

Expo 98, dez anos depois

Comemoram-se dez anos sobre a data de inauguração da Expo 98, evento que veio revolucionar a frente ribeirinha oriental e ajudar a aproximar o Tejo e a cidade. Neste sentido, a aposta foi ganha. O balanço sobre o que ficou, para além de equipamentos como o Oceanário, o Pavilhão Atlântico e o Teatro Camões ou o pulmão verde do parque Tejo-Trancão, é menos perceptível. Superou os vaticínios mais pessimistas de quem olhava para o desastre da vizinha Sevilha mas ficou aquém das expectativas de quem aguardava por um modelo exemplar de cidade ordenada e desenvolvida de forma sustentável. A exposição que levou ao mundo a imagem de um país jovem, moderno, capaz e com preocupações ambientais, em torno dos oceanos, deu lugar a uma área de intervenção com elevados índices de construção e insegura; com ausência de equipamentos públicos básicos, como escolas em número suficiente para a população residente ou um simples centro de saúde; sem corredores de transportes públicos, apesar das seis faixas de rodagem numa das suas principais avenidas, e com sinais visíveis de vandalismo e degradação do espaço urbano como sucede na margem direita do rio Trancão. Concorrendo com a zona sul, onde agoniza o projecto da marina, a área norte ainda é aquela que ao nível do espaço urbano mais se aproxima do modelo ambicionado de ordenamento e qualidade de vida. É por isso que mais se lamenta que as freguesias de Sacavém e Moscavide e o município de Loures não olhem para esta pequena parcela com maior ambição e sentido de responsabilidade. É também por isso que hoje se compreendem os longos anos em que perdura a falta de entendimento com a autarquia de Lisboa sobre a gestão urbana deste espaço, fazendo crer que um qualquer cálculo eleitoral os fará respirar de alívio quando inevitavelmente virem partir este pequeno pedaço de território. Quando se pensa em Loures e no Parque das Nações lembrar-nos-emos do elevado preço da água, da intenção anunciada, e felizmente gorada, de acolher a Feira Popular ou da reivindicação sobre as receitas do Casino de Lisboa; dificilmente associaremos este concelho à preservação das margens do rio Trancão e à recuperação da restante frente ribeirinha, quando constatamos a sua resignação perante os caducos silos da Galp na Bobadela ou sobre a nova parede de contentores em São João da Talha.
Destacando, no entanto, os aspectos positivos da exposição internacional coloco aqui o vídeo de abertura, onde se podem recordar algumas imagens da revolução urbana e o “making of” de algumas produções relacionadas com o evento. É um pouco longo mas vale a pena rever.

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