terça-feira, 6 de maio de 2008

Partido de bases

Hoje, dia 6 de Maio, completam-se 34 anos sobre a data de fundação do então Partido Popular Democrático (PPD). Sobre a data em que as verdadeiras elites se integravam, sem preconceito, na imensa mole humana das bases e enriqueciam o partido como o mais representativo e transversal da sociedade. Vale a pena nesta data e no momento em que decorre novo processo eleitoral para a liderança do PSD recordar uma passagem de um discurso de Francisco Sá Carneiro em 1974:

“A proposta que fizemos em 6 de Maio mereceu uma adesão entusiástica: foram dezenas de milhares os que nos deram o seu apoio, inúmeros os núcleos que se constituíram espontaneamente. Graças ao trabalho de ardorosos militantes, com base nas centenas de sedes que abriram por esse país fora, o nosso ideário foi levado a todas as camadas da população. Hoje o PPD é, sobretudo, o partido dos milhares de trabalhadores que têm aderido à Social-Democracia; cumpre-nos estar conscientes de que a sociedade que procuramos construir terá de ser a que for desejada pelas classes trabalhadoras.
Numa perspectiva regional, o Partido cobre todo o território do País. A fase de implantação chega ao fim: é, portanto, o momento de, em nome dos fundadores, entregar às bases o Partido que pelo seu árduo esforço construíram. Através dos delegados que elegeram, as bases vão, neste primeiro Congresso, constituir definitivamente o Partido. Este é, efectivamente um verdadeiro Congresso Constituinte: as tarefas principais que nos cabe levar a bom termo são a discussão e aprovação do Programa Básica do Partido e dos Estatutos, seguidas da eleição dos dirigentes de harmonia com os estatutos aprovados.
A discussão e aprovação do programa fundamental do Partido vai certamente ratificar o objectivo final que nos propomos: a construção de uma sociedade socialista em liberdade, a alcançar mediante a introdução de reformas sucessivas e irreversíveis nas estruturas económicas e sociais, cujo ritmo e amplitude serão determinados pela vontade da população. Propomo-nos implantar uma democracia real no nosso País , uma democracia que, além de política, seja económica, social e cultural. Para isso, haverá que colocar o aparelho de Estado ao serviço de todo o Povo, especialmente das camadas mais desfavorecidas e transformar profundamente as estruturas da sociedade portuguesa.”

Não consta que fosse populista…

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