sexta-feira, 16 de maio de 2008

Português suave

Pior do que infringir é alinhar na reconhecida capacidade que alguns portugueses têm para desculpabilizar a pequena falta. Depois da fúria persecutória aos fumadores, que o clima em que foi aprovada e divulgada a lei anti-tabaco proporcionou, não se compreende que José Sócrates não assuma o acto e as consequências de ter fumado no interior do avião, em que se deslocou à Venezuela, começando por afirmar desconhecer a violação da lei, prometendo deixar de fumar (como se tivesse acabado de inventar um novo tipo de auto-sanção) e culminando na vitimização perante aquilo que designou de “calvinismo moral radical”. Não percebeu que perante a lei não existem portugueses de primeira e outros de segunda, apesar do mau exemplo dado no início do ano pelo presidente da ASAE, António Nunes. O que importa agora é apenas que o primeiro-ministro pague a multa e que não volte a infringir, como qualquer cidadão cumpridor, independentemente de deixar ou não de fumar. E o mesmo servirá para o ministro da Economia, que ficou esquecido neste lamentável episódio, responsável por apagar os eventuais ganhos políticos da deslocação à Venezuela.

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