Também fui um dos vários milhões de europeus que seguiu atentamente o debate presidencial francês. Um debate equilibrado a acusar a responsabilidade de ambos os candidatos, mas com ligeira vantagem para Nicolas Sarkozy, que se apresentou com um discurso mais sólido e preciso do que a sua interlocutora. Ségolène Royal, apesar da sua serenidade cativante e da aparente segurança, mesmo nos erros, nunca conseguiu transmitir consistência ou clareza nas suas propostas, o que teria sido fundamental na oportunidade de maior visibilidade mediática que a agenda de campanha proporcionou a ambos os candidatos.As gaffes voltaram a pairar no discurso de Ségolène quando esta assumiu que poderia transferir funcionários públicos excedentários das antigas zonas aduaneiras para os hospitais, ousando garantir que seria a “coerência política da repartição da responsabilidade no Estado” que o permitiria, quando o seu adversário lhe lembrou que a autonomia financeira regional e central o tornava impossível, em virtude de serem pagos por orçamentos distintos.
Noutro momento acalorado do debate, a propósito da violação de duas agentes da polícia num intervalo de poucos meses em Clichy, sem que tivessem sido tomadas medidas pelo Ministério do Interior, Ségolène defendeu que as mulheres-polícias passassem a ser acompanhadas por um colega no regresso a casa, o que permitiu que Sarkozy retorquisse certeiramente que então “iriam ter uma função pública para servir os franceses e outra função pública para servir os funcionários…". E vacilou, mais uma vez, quando interpelada por Sarkozy sobre a quantificação da taxa que iria aplicar para o fundo de reserva adiantou, simplesmente, que “seria ao nível daquela que se revelasse necessária para fazer justiça social”.
Este registo de insegurança nos dados e nas propostas acabaria por contagiar ambos os opositores na recta final quando revelaram uma prestação sofrível sobre o importante dossier da energia nuclear.
Duas últimas notas: Ségolène Royal insistiu no tema das 35 horas de horário semanal de trabalho e prometeu a criação de 500.000 postos de trabalho para jovens no primeiro ano de mandato. Onde é que já ouvimos algo parecido com isto?...
Com Nicolas Sarkozy ficámos a saber que não haverá, seguramente, adesão da Turquia nem novo referendo interno à Constituição Europeia, mas virão novas propostas de alteração da composição e votação na Comissão e Conselho Europeus. Depois de Domingo ficaremos a saber se a França vai voltar ou não à linha da frente do desafio europeu.
Duas últimas notas: Ségolène Royal insistiu no tema das 35 horas de horário semanal de trabalho e prometeu a criação de 500.000 postos de trabalho para jovens no primeiro ano de mandato. Onde é que já ouvimos algo parecido com isto?...
Com Nicolas Sarkozy ficámos a saber que não haverá, seguramente, adesão da Turquia nem novo referendo interno à Constituição Europeia, mas virão novas propostas de alteração da composição e votação na Comissão e Conselho Europeus. Depois de Domingo ficaremos a saber se a França vai voltar ou não à linha da frente do desafio europeu.







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