quarta-feira, 16 de maio de 2007

Diz que é uma espécie de Hospital...

Inicialmente previsto com uma lotação de 565 camas, ficámos agora a saber que o Hospital de Loures, afinal, se ficará por uma versão minimalista de 425 camas e que não inclui na sua área de influência, isto é, não irá servir a população de sete das mais populosas freguesias da área oriental do concelho – Moscavide, Portela, Sacavém, Prior Velho, Bobadela, São João da Talha e Santa Iria da Azóia.
O velho sonho tornado realidade pelo então Ministro da Saúde, Luis Filipe Pereira, de ser construído um novo Hospital que servisse todo o concelho, além da população dos concelhos vizinhos de Odivelas e Sobral de Monte Agraço, ameaça esfumar-se agora com a divulgação oficial do Contrato de Gestão para a concessão do Hospital de Loures.
Com algum optimismo poder-se-á afirmar que os utentes das mencionadas freguesias utilizarão o futuro Hospital de Todos os Santos, localizado em Chelas, o que até pode ser mais próximo. E com elevado optimismo e algum humor, em termos de Maternidade, até podemos considerar que confere mais “estatuto” ao Bilhete de Identidade nascer em Lisboa do que em Loures, já que alguns dos portugueses das zonas fronteiriças também não podem, actualmente, ter os seus filhos em Portugal, tendo que obrigatoriamente recorrer ao país vizinho, como consequência da súbita tendência de encerramento de Maternidades.
Mas não foram estes os pressupostos da parceria no investimento, estabelecida pelo nosso concelho com a cedência do terreno. Não estará em causa servir outros concelhos, desde que o Hospital revele capacidade funcional para tal. Está em causa que uma Câmara Municipal, contratualizando com a Administração Central um equipamento, que servirá a totalidade do seu território, não pode asistir ao desvio da área de influência do mesmo para Norte, servindo inclusive freguesias de Mafra, o que não estava previsto, e deixando de fora as mencionadas freguesias do concelho de Loures.
Por outro lado, o novo Contrato de Gestão define o perfil assistencial como característico de um hospital de Plataforma B, não incluindo, por isso, as valências mais diferenciadas que continuarão a ser referenciadas para os hospitais localizados na cidade de Lisboa. Logo, não estará na linha da frente da rede hospitalar da Área Metropolitana de Lisboa; logo, não terá a desejada valência universitária.
É claro que isto só aconteceu porque a maioria socialista do Município, fazendo lembrar a fábula da formiga e da cigarra, se entreteve a retirar dividendos da medida concretizada pelo Governo do PSD e deixou de acompanhar com cuidado e sentido de responsabilidade o processo de lançamento do segundo Concurso Público, apesar dos conselhos avisados dos restantes partidos políticos com assento no executivo municipal.
Quem não se recorda das exigências de se considerar a valência de ensino universitário na nova unidade e a construção urgente do Metro Ligeiro de Superfície no percurso Odivelas-Loures, produzidas pelo Presidente da Câmara Municipal de Loures, na sessão solene de anúncio do primeiro concurso público internacional para a construção do Hospital de Loures? E as sucessivas intervenções durante estes últimos anos que imputavam, quase em exclusivo, ao município a responsabilidade do investimento? A última das quais em Fevereiro deste ano, com a prestimosa colaboração da Agência Lusa, a veicular a informação do novo concurso e a anunciar a manutenção das valências do hospital?
Nesta altura, as preocupações vindas de trás sobre este tipo de conduta acentuaram-se irremediavelmente. Interpelado por mim, em plena reunião de Câmara Municipal, sobre a sustentação documental de tais informações respondeu que “tinha sido pressionado pela comunicação social e que prestou as declarações que lhe permitiu a sua criatividade…”. Penso que uma parte das declarações se deve, de facto, à sua criatividade. A restante terá sido consequência do entusiasmo da ou do jornalista.
Conhecido este desfecho o que é que a Câmara Municipal tem a dizer? E o que dizer do famoso espírito reivindicativo? Provavelmente, ausente em parte incerta. Depois de não ter emitido qualquer opinião na última reunião de Câmara, não fosse ficar comprometido perante os responsáveis do Governo do mesmo Partido, as últimas declarações públicas foram, e passo a citar a comunicação social local: “temos de saber mais alguma coisa, o porquê de sete freguesias do concelho de Loures não estarem previstas para utilizar o novo Hospital”...
Por último, resta sublinhar que a informação que o município dispõe, actualmente, é aquela que foi facultada aos Vereadores: o contrato de gestão com um resumo do perfil, requisitos mínimos de capacidade e população abrangida. Quanto ao processo concursal e prazos de execução, ninguém sabe. É esta a história da cigarra!

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