As comemorações do Dia Mundial do Turismo necessitavam de um novo fôlego, capaz de superar a falta de qualidade a que se assistia, ano após ano, nas margens do Trancão, na cidade de Sacavém. Dispensava-se, no entanto, a “canibalização” do evento de Santo Antão do Tojal, descontado o pormenor da Feira do Tojal ser Setecentista e o novo modelo de Sacavém ser Medieval, o que se enquadra no mesmo género do surto comemorativo a que se assiste em dezenas de locais do País.Na realidade, o cortejo de Santo Antão do Tojal que reproduz o transporte dos sinos destinados ao Convento de Mafra e a envolvente do Palácio dos Arcebispos e da Fonte Monumental assumem uma beleza singular, resultante também do empenho dos habitantes locais como protagonistas cénicos. Daí a importância deste evento para o Turismo Cultural e Histórico do concelho, que justificaria um maior investimento da Câmara Municipal na sua expansão e promoção, criando simultaneamente infra-estruturas para acolher um maior número de visitantes. O que nunca será possível, recorrendo apenas à reduzida capacidade financeira da Junta de Freguesia local.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, o evento de Sacavém deveria ser complementar e não, pelo contrário, concorrente do primeiro. Deveria reproduzir a identidade de Sacavém, com a participação da população local, e potenciar o que a cidade e a zona oriental podem oferecer em termos turísticos, o que não resulta necessariamente de uma feira medieval sem castelo ou muralha que lhe confiram a patine histórica, como sucede com outras cidades e vilas portuguesas. Quem conhece a área ribeirinha e as suas potencialidades (depois de corrigidos os estragos do vandalismo e o estado de abandono a que esta área tem sido votada) não terá dúvidas que o caminho natural seria o Turismo Ambiental e de Lazer.







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