sexta-feira, 7 de março de 2008

Governo zela pela segurança dos manifestantes

Num contexto mais optimista poder-se-á pensar que os agentes da Polícia de Segurança Pública que se deslocaram a várias escolas, designadamente no Porto e Ourém, para questionar sobre a adesão dos professores dos estabelecimentos de ensino à “marcha da indignação”, o fizeram por cortesia para zelar pela segurança dos manifestantes. Numa perspectiva mais moderada, tomaram a iniciativa por uma questão estatística, adquirindo dados para posterior confronto com os números adiantados pelos sindicatos. Num raciocínio pessimista, mas mais realista, tratou-se de uma conduta intimidatória porque o Governo, ou alguém por ele, perdeu a noção de que nos encontramos num Estado de Direito.
Este incidente culmina, assim, uma semana de tensão crescente, em que o Governo se viu obrigado a abandonar o debate da política educativa e a tomar a má opção operacional de medir forças com os professores na rua ou melhor, no Pavilhão do Académico, uma semana depois. Depois da onda dos setenta mil professores esperados em Lisboa, José Sócrates só pode naufragar nos pormenores logísticos, que a imprensa tem veiculado sobre os embaraços e dificuldades para arregimentar sete mil apoiantes. Ainda que alguns naturais de Cabeceiras de Basto e Famalicão, aqueles que vieram compor a noite eleitoral de António Costa em Lisboa, estejam disponíveis para nova excursão ao Porto…

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