sexta-feira, 21 de março de 2008

Saúde nacionalizada?

Tal como outros órgãos da comunicação social, o Diário de Notícias titulou ontem que “Sócrates põe fim à era da gestão privada”, adiantando que “é uma verdadeira ruptura na política de saúde dos últimos governos. O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou ontem que o Amadora-Sintra, o único hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS) gerido por um grupo privado, vai deixar de o ser”. Recorda-me a questão filosófica do copo meio-cheio ou meio-vazio. O governo tinha previsto a construção de dez hospitais num modelo de parcerias público-privadas, não tendo construído ainda nenhum deles, nomeadamente pela anulação do concurso público do primeiro grupo. Na verdade, apenas o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) tem gestão privada, ou seja, de uma unidade passaremos a ter quatro hospitais geridos neste modelo, em virtude de o primeiro-ministro, José Sócrates, justificar a manutenção do caderno inicial para não defraudar os interesses legítimos dos concorrentes.
No entanto, a mensagem transmitida é a da redução de dez para quatro… Sem que qualquer projecto tivesse saído ainda do estirador, José Sócrates aproveita assim de forma gratuita para encurtar distâncias em relação à esquerda do próprio PS.

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