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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Top Portugal

A semana rica de acontecimentos, designadamente de desvios ao programa do Governo, relegou para segundo plano duas boas notícias para Portugal, que noutras circunstâncias teriam merecido outro destaque: Lisboa e os Açores foram distinguidos como destinos preferenciais por importantes publicações e suplementos de viagens internacionais.
A capital surge em terceiro lugar entre os destinos turísticos a visitar em 2008, eleitos pela importante editora norte-americana Shermans Travel, imediatamente atrás do Butão e da Gronelândia e à frente de Moçambique, Nova Orleães, Eslovénia, Tobago e Tunísia. Recentemente, Lisboa notabilizou-se ainda com o segundo lugar obtido numa lista de cinquenta e três cidades, sugerida pelo caderno de viagens do New York Times. Os hotéis e as colecções de design, a cozinha inovadora e a tipicidade de zonas da cidade como Alfama e o Bairro Alto ajudaram a fundamentar a escolha.
No caso dos Açores, a atracção da sua paisagem verde e vulcânica ou a afabilidade dos locais potenciam uma forma diferente de turismo - o turismo sustentável. Este registo de quase exclusividade, que dificilmente se encontra noutro lugar, mereceu a atenção da National Geographic Traveler, talvez a revista de viagens com mais leitores, que lhes concedeu o segundo lugar num ranking composto só por ilhas. A Madeira também aparece nesta lista. Há dias assim!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Há vida para além de Lisboa

Constatei com agrado a posição do PSD na câmara municipal e na assembleia municipal de Lisboa, que ditou uma redução do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para 2008, fixada em 0,70%. Consta, inclusive, que a recém eleita Comissão Política Distrital de Lisboa teve um papel colaborante na posição final da assembleia municipal em chumbar a proposta de António Costa, que estipulava a taxa do IMI no valor máximo de 0,80% para prédios anteriores à vigência do novo código.
Registei também com idêntica satisfação que na câmara social-democrata de Sintra, Fernando Seara reduziu em 10% a mesma taxa, “como forma de desonerar os munícipes de uma carga fiscal que é significativa”, descendo-a para 0,72%.
Perante estes dois exemplos, lamento que alguns colegas sociais-democratas confundam a câmara municipal de Lisboa com a junta metropolitana e o concelho de Lisboa com a área metropolitana, deixando de encarar este vasto território de forma integrada. Só assim se poderá entender a dualidade de critérios que leva a aceitar o facto de alguns ir(responsáveis) do PSD terem aprovado o aumento da carga fiscal em Loures, ao lado do PS, numa postura antagónica aos dois casos mencionados e numa atitude de clara negação dos compromissos assumidos, de forma escrita, na campanha eleitoral autárquica. Num dos casos a incongruência é levada ao limite, pois o elemento do PSD é também suplente do referido órgão distrital, tendo deixado cair uma das mais antigas e importantes bandeiras políticas do PSD no concelho de Loures – a redução da carga fiscal.
Não sendo adepto de vitórias morais, não deixo de me sentir confortado pela letra das minhas propostas de redução da derrama e do IMI coincidir com os propósitos políticos dos meus colegas de Lisboa e Sintra.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Solidão na Cidade e Sonho

Ainda sobre o momento da cidade de Lisboa, este bonito poema de Ruy Cinatti (1915-86), intitulado "Solidão na Cidade e Sonho"

“O que eu desejo,
ó luarenta cidade”,
disse o rio,
“é que ninguém te toque.”

Imóvel, paredes mestras
afundando-se na sombra.
Ruas prolongadas,
abertas em campo grande
fechadas em poços negros,
por onde tirita, de febre,
um homem.

Eu, rio apreendido,
captado veio d’água
na rede do espírito
que deambula sem norte.

Qualquer parcela de mim
que pouco a pouco se eleva
no nevoeiro nascente
que do rio sobe
e a cidade cobre.

Nenhum pássaro cantou
na madrugada. Eu corri
contra a força de uma vela,
e tu, árvore imóvel.

Som a tempo, respondi
marulhar d’águas nas folhas
caindo no cais deserto
onde se aproxima um homem.

“O que eu desejo,
ó luarenta cidade”,
disse o rio,
“é que ninguém te toque.”