segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Salto à Vara

Desconhecem-se as reais hipóteses da lista candidata que Miguel Cadilhe apresentou para o conselho de administração do Banco Comercial Português. No entanto, os seus propósitos, publicamente anunciados, introduzem uma nova dinâmica na novela de má qualidade, que envolve o maior banco privado português. E cujo desfecho previsível, por ora, pode vir a ser o controlo político do banco pelo partido do Governo.
A passividade do Banco de Portugal e da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários durante os últimos largos anos, perante as várias irregularidades praticadas ou consentidas por sucessivas Administrações; a coincidência de estar a terminar o mandato da Administração da Caixa Geral de Depósitos; a providencial “fuga” de informação que permitiu testar os nomes de Santos Ferreira e Armando Vara na imprensa; a pronta concordância de Fernando Ulrich sobre a liberdade de escolha do novo conselho pelo seu presidente (ainda acreditará numa nova tentativa de fusão com o BPI?); e a súbita predisposição para intervir de forma zelosa do Governador do BP, Vítor Constâncio, que o levou a aceitar rapidamente os nomes em questão e a recomendar cautelarmente que todos os administradores, desde 1999, não pensassem em recandidatar-se (alguns já começaram a questionar a medida), colocam demasiadas questões, ainda por esclarecer.
E não se pode resumir o problema aos naturais recrutamentos entre os sectores público e privado. A actual transferência de Administradores da CGD para o BCP será tudo menos normal, quando é promovida pelo Governo e enquadrada numa clara e grave tentativa de instrumentalização partidária do banco, conforme indicia a importância atribuida a Armando Vara, homem forte do aparelho socialista, como segundo nome do elenco a eleger. Mesmo que, nos últimos dias, tenha havido uma pequena compensação na CGD (Faria de Oliveira), prevendo o discurso presidencial do Ano Novo...

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