Várias publicações assinalam o centenário do regocídio. Destas destaco a edição da Tinta da China, cujos autores são Maria Alice Samara e Rui Tavares, o mesmo de "O pequeno livro do grande terramoto".Nesta edição, intitulada "O regicídio", surgem dois ensaios: "o atentado iconográfico" e a "memória do atentado". Rui Tavares descreve a forma como a "Ilustração Portuguesa" fez a cobertura do assassinato do rei D. Carlos I e do príncipe D. Luís Filipe, enquanto Maria Alice Samara proporciona o roteiro dos acontecimentos, o perfil dos intervenientes e um retrato político do princípio do século passado, com recurso aos jornais da época e aos textos de escritores como Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão e Aquilino Ribeiro. Registe-se também a qualidade das ilustrações e fotografias que complementam a edição.
Como é descrito: "é este o local (Praça do Comércio) onde o rei que já foi chamado de diplomata recebeu ilustres visitantes. Onde o primeiro D. Manuel mandou construir o seu Paço e o segundo foi transformado em rei, após a morte do pai e do irmão. Onde, para uns, o rei foi martirizado e, para outros, o povo foi vingado". Esta imparcialidade sublinhada e a distância temporal do acontecimento permitem-nos hoje fazer um juízo sereno sobre a personalidade e o papel que o rei D. Carlos I desempenhou na nossa história, não se justificando as reacções despropositadas de alguns representantes, da designada esquerda caviar, em relação às cerimónias de homenagem.







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