Manuel Alegre continua num dilema. Por um lado, quer continuar a deter o estatuto mediático e o peso eleitoral que a última eleição presidencial lhe conferiu, mas sem assumir qualquer tipo de compromisso com os seus eleitores, conforme revela a entrevista que hoje deu ao diário Público. Por outro, pretende ocupar o espaço das preocupações sociais no interior do PS, que segundo ele não fazem parte da agenda do Governo, mas sem consequências políticas de maior na disputa interna da "nomenclatura" socialista. Entretanto, vai patrocinando reuniões com grupos de militantes para discutir "o que é ser socialista".Alguns dos excertos da entrevista:
"Com o PS passa-se muito pouca coisa. Com o PS e com a nossa democracia (...) O que é hoje o PS? Ainda há socialismo no PS? Ainda se fala de socialismo? Ainda se fala de soluções alternativas? Ou, como dizia o general, as pessoas hoje estão nos partidos mais para resolverem os seus problemas pessoais do que por ideologia? (...) Claro que já não me revejo neste PS. O que não quer dizer que este PS não tenha socialistas ou que entre aqueles que votam e apoiam o PS não haja muitos socialistas. Mas num partido político há vários níveis, o das estruturas dirigentes, o das estruturas intermédias, as bases e ainda há os votantes. Aquilo que eu chamei de nomenclatura, bem, hoje é uma coisa impenetrável (...) Penso que o papel dos socialistas é criar soluções alternativas. É fazer as reformas no sentido de garantir a viabilidade e de reforçar os serviços públicos, não de os esvaziar, como é hoje a receita única (...) Houve 1.130.000 pessoas que votaram em mim. Mas, como em qualquer eleição, os votos diluem--se depois da eleição. Não ando com aqueles votos à trela. Isso cria uma responsabilidade."







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