Não, não se trata de publicidade encoberta. Trata-se de mais um contributo para a época de veraneio, que a demissionária presidente da Distrital de Lisboa do PSD entendeu dar com a entrevista de hoje ao Correio da Manhã, afirmando que uma das consequências da vitória de Luís Filipe Menezes será a de se “assistir a uma debandada das elites do partido” (!?), presumindo-se que se estará a incluir na denominada elite… A outra consequência será a de que “o PSD poderá ver o seu lugar confinado ao espectro marginal do sistema político partidário”. Adianta, ainda, que “o PSD não é um partido de direita, é um partido de centro, com uma matriz social-democrata forte, cujo aggiornamento importa fazer” e que “o que é novo, o que existe e não existiu em situações anteriores, é uma matriz de populismo por parte de alguns militantes do PSD”.Não tenho uma visão populista da acção política e, em particular, das linhas de actuação por que se deve pautar o Partido Social Democrata. Não ignoro, porém, as raízes populares do Partido Popular Democrático (PPD) e os pilares do seu primeiro programa, pelo que não sou insensível aos dislates de quem chega ao Partido há meia dúzia de anos e desata a puxar a sua matriz ideológica para a esquerda, para a direita ou até para o centro, conforme as conveniências pessoais, escamoteando o real posicionamento partidário que ditou a ascensão e a afirmação do PSD.
Depois de Marques Mendes ter encomendado a redacção da sua Moção de Estratégia Global a Eduardo Catroga, que rapidamente negou a possibilidade da redução de impostos antes de 2009 (José Sócrates agradece), a entrevista da ex-Presidente da Distrital de Lisboa com o habitual cunho arrogante, gerador de divisões, e tom ameaçador de debandada das pretensas elites não poderia ter surgido em pior momento para a paz interna do Partido.
Paula Teixeira da Cruz também garante que “a presença de Marques Mendes na festa do Chão da Lagoa não é populismo porque se deslocou a uma festa partidária que existe há anos”, ou seja, na mesma entrevista o termo “populismo” assume dois significados. Neste último exemplo, a circunstância atenuante não se afere pela participação, mas pela antiguidade do evento…
Além da quinquagésima tentativa de branquear as responsabilidades directas na situação política que conduziu à entrega da principal Câmara Municipal ao Partido Socialista, brinda-nos com outra pérola na mencionada entrevista, ao acusar “o governo de ter começado com a tentativa de funcionalização do sistema judicial, ao ter tentado de forma muito insistente substituir Souto Moura e, depois, ter tentado funcionalizar as polícias e o serviço de informação”. Subscrevo, por inteiro, esta última afirmação, mas não foi a entrevistada uma das personagens que se quis assumir publicamente como protagonista do famoso Pacto da Justiça?







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