quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Elite look

Não, não se trata de publicidade encoberta. Trata-se de mais um contributo para a época de veraneio, que a demissionária presidente da Distrital de Lisboa do PSD entendeu dar com a entrevista de hoje ao Correio da Manhã, afirmando que uma das consequências da vitória de Luís Filipe Menezes será a de se “assistir a uma debandada das elites do partido” (!?), presumindo-se que se estará a incluir na denominada elite… A outra consequência será a de que “o PSD poderá ver o seu lugar confinado ao espectro marginal do sistema político partidário”. Adianta, ainda, que “o PSD não é um partido de direita, é um partido de centro, com uma matriz social-democrata forte, cujo aggiornamento importa fazer” e que “o que é novo, o que existe e não existiu em situações anteriores, é uma matriz de populismo por parte de alguns militantes do PSD”.
Não tenho uma visão populista da acção política e, em particular, das linhas de actuação por que se deve pautar o Partido Social Democrata. Não ignoro, porém, as raízes populares do Partido Popular Democrático (PPD) e os pilares do seu primeiro programa, pelo que não sou insensível aos dislates de quem chega ao Partido há meia dúzia de anos e desata a puxar a sua matriz ideológica para a esquerda, para a direita ou até para o centro, conforme as conveniências pessoais, escamoteando o real posicionamento partidário que ditou a ascensão e a afirmação do PSD.
Depois de Marques Mendes ter encomendado a redacção da sua Moção de Estratégia Global a Eduardo Catroga, que rapidamente negou a possibilidade da redução de impostos antes de 2009 (José Sócrates agradece), a entrevista da ex-Presidente da Distrital de Lisboa com o habitual cunho arrogante, gerador de divisões, e tom ameaçador de debandada das pretensas elites não poderia ter surgido em pior momento para a paz interna do Partido.
Paula Teixeira da Cruz também garante que “a presença de Marques Mendes na festa do Chão da Lagoa não é populismo porque se deslocou a uma festa partidária que existe há anos”, ou seja, na mesma entrevista o termo “populismo” assume dois significados. Neste último exemplo, a circunstância atenuante não se afere pela participação, mas pela antiguidade do evento…
Além da quinquagésima tentativa de branquear as responsabilidades directas na situação política que conduziu à entrega da principal Câmara Municipal ao Partido Socialista, brinda-nos com outra pérola na mencionada entrevista, ao acusar “o governo de ter começado com a tentativa de funcionalização do sistema judicial, ao ter tentado de forma muito insistente substituir Souto Moura e, depois, ter tentado funcionalizar as polícias e o serviço de informação”. Subscrevo, por inteiro, esta última afirmação, mas não foi a entrevistada uma das personagens que se quis assumir publicamente como protagonista do famoso Pacto da Justiça?

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