Existem boas ideias que podem ser, rapidamente, desvirtuadas ou mal aplicadas. Refiro-me concretamente ao sub-projecto comunitário ACFER (Acessibilidade às Estações Ferroviárias), integrado no Programa de Iniciativa Comunitária INTERREG III C Sul e que originou o recente projecto municipal “Rodinhas”.Este destina-se, fundamentalmente, a superar a falta de acessibilidade às estações ferroviárias, mas já foi divulgado como resposta às dificuldades criadas pelas obras do Metropolitano em Moscavide e mais, recentemente, como melhoria da mobilidade entre as freguesias de Moscavide e Portela, para facilitar o acesso às futuras Piscinas …
E aqui surge a divergência. Como meio privilegiado de melhorar a intermodalidade e o acesso ao apeadeiro de Moscavide, superando os condicionalismos da malha urbana local, que impede circulação de veículos pesados de passageiros de maior porte, merece a minha concordância (como demonstrei em reunião de Câmara). Se for utilizada uma concessão de serviço público, com as normais obrigações de explorar, transportar e tarifária, em circuitos similares aos que já dispõem de oferta, nomeadamente pelo mesmo operador – Rodoviária de Lisboa, os € 11.000,00 mensais de compensação, a suportar pela Câmara Municipal de Loures serão um valor demasiado elevado.
É claro que um protocolo, que vigorará em período experimental até 31 de Março de 2008, não pode ser garantido à partida como o remédio para as obras do Metropolitano, que decorrerão até Outubro de 2009. Assim, como duas freguesias - Moscavide e Portela - com áreas extremamente reduzidas, edificações concentradas e dotadas de uma boa rede de transportes, não dependerão deste tipo de iniciativa para melhorar a sua mobilidade interna.
E até agora não assistimos ao desenvolvimento de uma política comunicacional, que potencie a virtude da iniciativa e a sua principal função: melhorar a acessibilidade ao Apeadeiro de Moscavide e promovê-lo como alternativa a utentes que se habituaram a utilizar a Gare do Oriente. Só assim se poderá justificar o valor elevado da concessão e ultrapassar a desvantagem de a iniciativa ter tido o seu início em pleno Verão, como é visível na sua reduzida utilização.
Com estes pressupostos fica a dúvida se este tipo de iniciativa não seria mais eficaz, envolvendo freguesias próximas de apeadeiros mais distantes da Gare do Oriente e com índices mais baixos de mobilidade. A não ser que o calendário eleitoral tenha ditado outras opções …







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