Como alguém já disse: “a quem é que o Zé afinal faz falta?...”. Ou como uma meia-derrota foi transformada em meia-vitória, pelos analistas próximos do Largo do Rato, continuando a alimentar o mito “Costa” (voltarei a este tema em breve). António Costa exigiu a maioria absoluta e previsivelmente não a teve; anunciou a vontade de atribuir pelouros a todos os vereadores e acabou coligado com um vereador do Bloco de Esquerda – José Sá Fernandes – que nem sequer lhe proporciona a ambicionada maioria.Este, pelo contrário, apostou na terminação e ganhou a lotaria. Fez uma campanha apostada na renovação do seu mandato, foi eleito por pouco, quase viu António Costa celebrar um acordo com Carmona Rodrigues e acabou como Vereador do Ambiente e Espaços Verdes! Tudo isto depois de ser eleito com 13.133 votos, correspondentes a apenas 6,82%, o que se traduziu numa perda de 9.209 votos em relação a 2005, ou seja, 41,2% dos seus eleitores…
José Sá Fernandes nunca aspirou a mais do que ser muleta de António Costa, tal como Francisco Louçã ambiciona em relação a José Sócrates nas Legislativas de 2009. Daí o seu desespero quando a imprensa enfatizou o clima de lua-de-mel vivido em plena campanha entre as candidaturas de Carmona Rodrigues e do Partido Socialista. E mais tarde quando assistiu à recuperação de Helena Roseta nas sondagens. Já não era uma questão de ser ou não eleito, mas sim uma questão de ficar de fora na distribuição dos pelouros.
Os resultados eleitorais e as posições posteriores de indisponibilidade, manifestadas por Carmona Rodrigues, pelo PSD e pela CDU, reduziram António Costa ao cenário mais trabalhoso e menos desejado, chegar a acordo com várias candidaturas, que conduzissem ao somatório de nove vereadores, após a opinião pública e algumas vozes discordantes, do próprio PS, terem inviabilizado o acordo com Carmona Rodrigues.
Algumas crispações do tempo da campanha eleitoral e a conhecida arrogância de António Costa ditaram o desfecho do processo (ainda fez nova tentativa para arregimentar a CDU). Helena Roseta excluiu-se com o seu colega, Manuel João Ramos, a acusar o actual presidente da Câmara de Lisboa de que “até hoje não vi outra coisa que não fosse negociar lugares e cargos”.
Este é o PS no seu melhor, poucas ideias, muitos lugares (e poucos pelouros) para distribuir e reacções de indigestão perante a recusa de ofertas, entendidas como irrecusáveis.
Não deixa, também, de ser curioso o facto de em vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, o Partido Socialista considerar o Ambiente como um pelouro dispensável, ao ponto de o entregar a Vereadores que estejam disponíveis para o papel de “muleta” (em Lisboa, até a Cultura foi considerada como “responsabilidade da maioria”, pelo que não seria objecto de negociação).
A meia-vitória resulta, portanto, de os referidos analistas festejarem o facto de António Costa, com a coligação envergonhada PS/BE (transformada por alguns em acordo com José Sá Fernandes), ter metido no bolso o “Zé”, o tal que de incómodo passou a maleável, na celebração de uma aliança que não foi justificada publicamente por nenhum programa ou reforma estruturante, nem por Francisco Louçã. Afinal, o Zé fazia falta a quem?







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