segunda-feira, 1 de outubro de 2007

As Directas

Em termos teóricos, o princípio “um militante, um voto” é inatacável. E também populista, num partido político que tem uma forte componente basista, pelo que se tornou bastante fácil defendê-lo e capitalizar os dividendos de tal defesa. Foi precisamente isso que aconteceu com Luís Marques Mendes e uma enorme maioria de notáveis e menos notáveis, que no congresso de Lisboa sufragaram a principal alteração estatutária – a introdução do método da eleição directa para o Presidente do Partido.
Nesse congresso, a dificuldade residiu em pertencer a uma imensa minoria que, apontada a dedo, defendeu convictamente a posição contrária. Não, pela falta de virtude do princípio enunciado, mas pela perversidade prática do mesmo a que já se tinha assistido, embora numa escala diferente, nas directas para os órgãos distritais.
Adicione-se a isso a desproporção representativa entre o norte e o sul, como consequência da disparidade no número de militantes, o afunilamento no número de potenciais candidaturas, pelos custos que envolve uma campanha nacional, e a perda de vitalidade dos importantes e indispensáveis Congressos Nacionais. Como afirmou, certeiramente, Ângelo Correia: “Num Congresso discutem-se ideias. Nas directas não se discutem ideias. Conquistam-se almas”.
Estranho, no entanto, que alguns dirigentes sociais-democratas só agora com a vitória de Luís Filipe Menezes tenham apurado e descoberto defeitos, onde anteriormente só encontravam virtudes.

Sem comentários: