O presidente da república, Aníbal Cavaco Silva, dedicou o seu discurso comemorativo da implantação da república às deficiências na educação das crianças e dos jovens, ao isolamento escolar e à necessidade de os portugueses inovarem, nomeadamente nas áreas sociais.Mas a passagem do seu discurso que acabou por se destacar foi, precisamente, o regresso ao tema nuclear do discurso do ano passado – a corrupção.
Nessa altura debatiam-se as propostas de João Cravinho e o facto de o Grupo Parlamentar do PS as ter metido na gaveta. Agora, Cavaco Silva pede mais eficácia na iniciativa legislativa, recordando que: “referi também, há precisamente um ano, neste mesmo lugar, os ideais cívicos do republicanismo, enaltecendo a dimensão ética da cultura republicana e as exigências daí decorrentes, nomeadamente no que respeita à responsabilização dos titulares de cargos públicos e ao combate à corrupção. Decorrido um ano, registo que na Assembleia da República foram apresentadas múltiplas iniciativas legislativas visando aumentar a eficácia da luta contra a corrupção. Apelo a que os Senhores Deputados aprofundem o esforço já empreendido para concretizar, no plano legislativo, o ideal republicano de uma maior transparência da vida pública."
A corrupção continua na ordem do dia numa altura em que, estranhamente, a opinião publicada não tem dado grande importância à transcrição, pelo semanário Sol, das escutas telefónicas a José Sócrates, Rui Pereira e Paulo Portas, em triangulação conspirativa para a nomeação do Procurador-Geral da República.







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