segunda-feira, 1 de outubro de 2007

As in(Directas)

Ainda mal tinham acabado de ser conhecidos os resultados provisórios das eleições internas do PSD (pouco depois das zero horas de Sábado) e fechadas as edições mais retardadas dos Semanários (por volta das duas da manhã) e já os seus leitores eram surpreendidos na mesma manhã com comentários catastróficos sobre o método da eleição directa. Ou seja, as directas eram boas com Luís Marques Mendes e passaram a ser más com a vitória de Luís Filipe Menezes. E os jornalistas de serviço, em pouco mais de uma hora recolheram e publicaram depoimentos ou supostas opiniões bastante críticas de quase uma dezena de notáveis, ausentes da noite eleitoral…
Já ontem foi dado enorme relevo noticioso a um comentário do ex-presidente da república, Mário Soares, sobre uma alegada desgraça que tinha acontecido ao PSD, a propósito da disputa eleitoral. Rapidamente, os jornalistas de serviço descontextualizaram a afirmação e entenderam que a “desgraça” só poderia assentar no desfecho da contenda e, obviamente, no recém-eleito presidente, Luís Filipe Menezes. O empolamento da notícia justificaria mesmo um desmentido pessoal de Mário Soares à Agência Lusa, antes das 19 horas, reiterando que se referiu ao processo e não ao vencedor, divulgando inclusive que já tinha felicitado pessoalmente o novo presidente do PSD e justificado as suas palavras. Nos principais noticiários da noite, em horário nobre, o desmentido foi completamente omitido das várias peças televisivas, só tendo começado a ser veiculado no final da noite nos últimos blocos noticiosos…
Hoje, já começámos a assistir à escalada do folhetim da permanência ou abandono da Câmara de Gaia, à dissecação da análise dominical de Marcelo Rebelo de Sousa e às provas públicas de fidelidade dos líderes das distritais derrotadas, perante a interpelação dos jornalistas. E, ainda, o novo presidente do PSD não abriu a boca, depois do discurso da noite eleitoral. Espero, pois, que esta contenção inicial venha a constituir uma imagem de marca do seu mandato, visto que os primeiros dois dias revelam que não só não vai ter a vida facilitada como as duas semanas que faltam até ao Congresso Nacional poderão tornar-se demasiado longas.

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