sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Há vida para além do défice

Fazendo lembrar uma frase do seu antecessor, o presidente da república, Cavaco Silva, defendeu na sessão de abertura do 2º Congresso da Ordem dos Economistas que “além do indispensável controlo das finanças públicas, é preciso cuidar de outras condições essenciais para garantir elevados níveis competitivos à economia portuguesa (…) Por isso, não podemos conformar-nos com uma retoma mínima, ao sabor de flutuações conjunturais. Precisamos, isso sim, de um regresso à convergência real com o grupo de países mais desenvolvidos da União Europeia (…) O relançamento da economia portuguesa depende, em larga medida, do desenvolvimento de uma capacidade exportadora, continuada e sustentada, que não esteja dependente de ciclos económicos ou de oportunidades pontuais". Onde e quando é que já ouvimos isto?
Entretanto, o relatório do FMI para Portugal contraria o optimismo do Governo ao antecipar uma interrupção na tendência de aceleração da economia para 2008, prevendo que a taxa de crescimento não ultrapasse os 1,8%, o mesmo valor a atingir no final de 2007.
A taxa de desemprego, de acordo com o relatório, manter-se-á acima dos 7%, com 7,4% em 2007 e 7,1% em 2008.
Perante este anúncio e na linha do que já nos habituou quando surgem notícias más para o Governo, o primeiro-ministro veio publicamente anunciar que o défice orçamental ficará nos 3% este ano e acentuar a aposta nas políticas sociais. Espero que os portugueses consigam descobrir a “sensibilidade social” no aumento previsto do IRS para os pensionistas…

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