“Naturalmente, não foi o presidente da Câmara ou a Câmara que ordenou esta bátega d’água” – Carlos Teixeira, em diálogo com os populares e os jornalistas. Esta frase sintetiza uma nova prática municipal: a das causas naturais.A tragédia que se abateu sobre habitantes e comerciantes da baixa de Sacavém teve, paradoxalmente, a virtude de tornar pública uma postura de que sempre que ocorrem incidentes menos agradáveis no concelho, a responsabilidade é sempre de terceiros, acabando a culpa por morrer solteira.
A enxurrada, segundo o responsável municipal, só aconteceu porque houve uma conjugação de factores: a maré cheia, a chuva intensa e a ruptura de uma conduta de responsabilidade da SimTejo.
A falta de limpeza e manutenção das linhas de água, dos colectores e das condutas não entram nesta contabilidade. As sucessivas movimentações de terras nas arrastadas obras da Av. Estado da Índia, sem que houvesse o cuidado de acautelar a chegada das primeiras chuvas, também não. A permissão descuidada da deposição de milhares de metros cúbicos de terra, junto à ribeira do Prior Velho e sem muro de suporte (conforme se demonstra na foto em baixo), muito menos.
Era este o estado da ribeira em Agosto, vendo-se o aterro sem a necessária protecçãoDaí que seja caricata a estranheza manifestada pela origem das canas, troncos e lixo que emergiram nos colectores pluviais. Talvez fosse pertinente ouvir os responsáveis do Instituto da Água (INAG) sobre a criatividade municipal que originou o referido aterro, visto que esta entidade, além da responsabilidade pela limpeza das linhas de água é gestora do Projecto de Controlo de Cheias da Região de Lisboa (PCCRL).







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