Já tinha escrito sobre o facto de a 4ª Alteração ao Orçamento consubstanciar, na prática, uma revisão às suas propostas fundamentais.Desapareceram, assim, do plano de investimentos, quase por completo, as remodelações e reparações em escolas, jardins-de- infância e parques infantis; a reparação e manutenção de centros de dia; o mobiliário e equipamento para instalações destinadas à terceira idade. E até a ampliação e a construção, respectivamente, dos cemitérios de Fanhões e São João da Talha regressaram à estaca zero.
Mais recentemente, foi proposta e aprovada a 5ª Alteração ao Orçamento, com o mesmo formato e comprovando que este expediente começa a fazer escola na administração municipal, defraudando as legítimas expectativas dos munícipes perante a publicidade enganosa, que tem sido formulada a propósito de alguns dos investimentos.
A título exemplificativo podemos referir dotações que foram reduzidas à insignificância, como as relativas à Feira Sectorial do Concelho, ao Serviço de Apoio à Criação de Emprego, à Rota dos Vinhos e ao Forum Económico. Ou, ainda, o destino semelhante das verbas relativas aos programas de prevenção de doenças ou de promoção da educação alimentar e da saúde oral ou materno-infantil.
Surpreendentemente, ou talvez não, o Ambiente continua a figurar como parente pobre do plano de actividades, verificando-se mesmo situações de desinvestimento ou de eventos que acabaram por não ter expressão adequada, designadamente as hortas pedagógicas, a reflorestação das áreas ardidas, os programas de promoção da florestação do concelho ou das hortas sociais, o Dia da Árvore ou a Semana do Ambiente e da Bicicleta.
E o que dizer da anulação do Catus de Loures ou do terreno para o Parque Empresarial, que já viu reduzida a sua verba em 14%?
Os documentos em causa constituem, portanto, a negação de todos os fundamentos que foram avançados em sede de debate e aprovação do documento-base, no final do ano passado.
Constata-se, então, que não estamos na presença de simples alterações, mas pelo contrário diante de uma revisão política profunda das intenções consagradas no Plano inicial, com manifesto prejuízo das freguesias que não são lideradas pelo Partido Socialista, nomeadamente Bucelas e Santo Antão do Tojal.
Num concelho onde os eleitores estivessem mais atentos à realidade da gestão do município onde habitam, e consequentemente revelassem um maior nível de exigência, não existiria a ousadia dos responsáveis da maioria socialista venderem gato por lebre aos munícipes. Nem os níveis de execução orçamental e do plano de actividades andariam ao ritmo do caracol. Pelo contrário, a decência e a ética políticas obrigariam o executivo a retratar-se e a dar explicações públicas.







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