Chegou ao fim a primeira parte da previsível tormenta que o Partido Social Democrata atravessa na cidade de Lisboa, tendo obtido o seu pior resultado eleitoral de sempre com uns sofríveis 15,7%. E para os quais não é difícil encontrar explicações:1. Depois de ter provocado as eleições intercalares, o PSD mostrou-se incapaz de apresentar um candidato politicamente forte e preparado para o desafio, que fosse simultaneamente recenseado na capital. E desperdiçou a oportunidade de ter um candidato ganhador (Fernando Negrão) para a Câmara de Setúbal, em 2009;
2. A qualidade global da lista candidata não atingiu o nível que a cidade justifica e que os eleitores se habituaram a exigir do PSD, não se percebendo algumas das reconduções (considerando os argumentos que foram esgrimidos no momento da queda do executivo municipal), assim como o facto de algumas das escolhas terem inexplicavelmente recaído em candidatos sem currículo e preparação autárquica;
3. A campanha foi desastrosamente desenvolvida em ziguezague. Depois de um lema infeliz no arranque ("Lisboa a Sério"), que traduzia um sentimento de auto-crítica, a candidatura centrou a sua comunicação na crítica directa ao Governo, deixando espaço a candidatos independentes, como Helena Roseta, para falar claro e directo aos lisboetas, através das propostas locais que foi apresentando diariamente;
4. O segundo lugar de Carmona Rodrigues com 16,7% revela que os lisboetas, mais do que penalizar a anterior gestão quiseram atingir directamente o PSD, o que demonstra que a candidatura não só nunca conseguiu descolar dos anteriores responsáveis pela gestão ruinosa da cidade (nem poderia, ao inclui-los novamente na lista) como os eleitores revelaram através da abstenção (62,6%) ou do voto de protesto um profundo agastamento com o PSD.
O PSD ao ter trazido o Governo para o cenário eleitoral de Lisboa, tentando apanhar a boleia do descontentamento generalizado dos portugueses, acabou por conseguir o efeito inverso com este desastre eleitoral - o de oferecer de bandeja a possibilidade do primeiro-ministro José Sócrates com uns modestos 29,5%, obtidos pelo Partido Socialista (apenas mais três pontos percentuais do que Manuel Maria Carrilho, em 2005), considerar que as recentes políticas do Governo foram sufragadas de forma favorável. Depois dos desaires sofridos nas Presidenciais e nas Eleições Regionais da Madeira, José Sócrates não poderia estar mais grato à recente estratégia (ou à falta dela) do PSD.
Para terminar, duas interrogações:
1. Qual teria sido a dimensão do desaire para o PSD (15,7%) ou para o centro direita (PSD+PP+Carmona Rodrigues - 36,1%) se as condições climatéricas fossem as de um dia quente de Verão?
2. Considerando as actuais apertadas regras de financiamento eleitoral das campanhas, estarão incluidas nas contas de António Costa as excursões de "lisboetas importados" de Famalicão, Cabeceiras de Basto, etc. para virem compor a moldura humana dos discursos de encerramento na noite eleitoral?







Sem comentários:
Enviar um comentário